As Criadas

Clássico da dramaturgia francesa retorna ao Teatro Maison de France, após montagem histórica com Dina Sfat, nos anos 80

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04 de agosto de 2017

As CriadasO espetáculo “As Criadas”, clássico da dramaturgia francesa escrito por Jean Genet (1910 – 1986) em 1947, estreia dia 04 de agosto no Teatro Maison de France. A direção é de Eduardo Tolentino de Araújo, e no elenco estão as atrizes Clara Carvalho (indicada ao Prêmio APTR 2017 por seu trabalho em “Anti-Nelson Rodrigues”, também com o Grupo Tapa), Mariana Muniz e Emilia Rey.

Depois de 36 anos, o texto de Jean Genet volta à casa de sua montagem histórica, em 1981, com Dina Sfat, Jacqueline Laurence e Suzana Faini, dirigidas por Gilles Gwizdeck. Amplamente reconhecido como escritor de extraordinário talento, admirado por escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, Genet escreveu a maioria de seus textos durante os anos em que esteve preso, o que confere características bastante únicas a sua obra. Sua inspiração para “As Criadas” foi um caso real ocorrido na França, das irmãs Papin, que mataram a patroa e sua filha no ano 1933. É o diretor Eduardo Tolentino de Araujo quem explica: “Entre o psicodrama, improviso teatral e perversos jogos infantis, as criadas sublimam, através de uma cerimônia fúnebre, o processo de opressão comandado por sua patroa/mãe, nesse tipo de relação promiscua presente em nossa cultura. Jogo situado para além da luta de classes e de Freud, cuja arena é um inferno Sartreano, que flerta com o surrealismo de Buñel e o expressionismo de Bergman, sem esquecer o travestismo tão caro a Genet. Fuga e evasão poética de alto teor lírico e poesia barata que nos remete a Mishima, Fassibinder e Manuel Puig”.

A peça conta a história das irmãs Clara (Clara Carvalho) e Solange (Mariana Muniz), empregadas no luxuoso apartamento de Madame (Emilia Rey), por quem nutrem ao mesmo tempo ódio e adoração. Basta que Madame saia de casa para que as criadas iniciem um jogo de submissão e poder em que usam as roupas, jóias e maquiagens da patroa, imitando sua voz e seus gestos, em requintados e perversos rituais de “faz-de-conta”Dia após dia, planejam a morte de sua patroa. Através de cartas anônimas com denúncias, acabam por levar o amante de Madame para prisão. Mas, inesperadamente, ele é libertado e vai ao encontro de Madame, e logo as tramóias das duas serão descobertas pelo casal. Sem saída, as criadas levam seu jogo perverso ao limite. A encenação transita pelo drama e pela tragicomédia para tratar de uma incômoda relação entre opressor e oprimido. O cenário de Marcela Donato evoca o luxo e a grandiosidade da casa de Madame, onde predominam a cor vermelha em tapetes e longas cortinas entre espelhos e objetos clássicos. O figurino, também de Donato, é também clássico e elegante para Madame, e realista no uniforme das criadas.

 

Ficha técnica

Texto: Jean Genet 

Tradução: Pina Coco 

Diretor: Eduardo Tolentino de Araujo 

Elenco: Clara Carvalho, Mariana Muniz e Emilia Rey 

Cenários e Figurinos: Marcela Donato

Iluminação: Nelson Ferreira

Fotos: Ronaldo Gutierrez 

Comunicação Visual: Gus Oliveira

Produção Executiva: Ariel Cannal

Realização: Grupo TAPA

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

 

Serviço

Local: Teatro Maison de France – Avenida Presidente Antonio Carlos, 58 – Centro / RJ (estacionamento Valet no local)  Tel: (21) 2544-2533

Horários: 6ª e sábado às 20h, domingos às 18h.

Duração: 90 min

Gênero: drama

Ingressos: R$50,00 (6ªf ) e R$60,00 (sábado e domingo)

Capacidade: 353 espectadores

Classificação: 14 anos

Temporada: até 10 de novembro