As Memórias de Marnie

Estúdios Ghibli de 'A Viagem de Chihiro' encantam novamente com girl power delicado e misterioso

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05 de outubro de 2015

Os Estúdios Ghibli sabem fazer animações como ninguém. Fundado pelo Papa dos desenhos Hayao Miyazaki, considerado o ‘Walt Disney japonês’, e pai de inúmeros personagens imortais como “A Viagem de Chihiro”, “Meu amigo Totoro” e “Ponyo”, muitos deles presentes neste Festival do Rio com uma retrospectiva especial desta fábrica de sonhos. Mas não só de Miyazaki vive esta verdadeira escola. E ainda há filme com assinatura Ghibli além de “O Conto da Princesa Kaguya” para estrear este ano fazendo sua première no Festival: “As Memórias de Marnie”, ou “When Marnie was there” no título de seu lançamento internacional distribuído por ninguém menos que a Disney (em japonês, “Omolde no Mâni”). Realizado por Hiromasa Yonebayashi, assistente de animação e direção de muitos dos sucesso Ghibli, e diretor de “Os Pequeninos”, também presente no Festival.

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A vantagem deste novo exemplar para individualizar Hiromasa no panteão da animação japonesa é a extrema delicadeza com que filmou o universo feminino nesta história. Uma jovem órfã em franca pré-adolescência entra em conflito com a mãe adotiva e é enviada para ficar com tios por uma temporada numa cidade litorânea de interior. Lá ela conhece uma antiga mansão perto da praia e sua jovem moradora muito especial, chamada Marnie, porém começa a confundir realidade com sonho de acordo com que novos residentes ocupam a casa e Marnie desaparece. Quem era Marnie e por que sumiu de repente? Aquele mundo desvelado pela amiga, em meio a uma sensação antes tão incompreendida pela protagonista do dissabor do crescer e não conseguir se identificar com nenhum adulto, cria uma identificação muito forte com o espectador. Ainda mais pela palheta de cores sempre especial com que os diretores dos estúdios Ghibli gostam de trabalhar, numa aquarela variada e sensível, quase parecendo desenhada em papel manteiga e que se tocarmos na tela seremos nós mesmos coloridos por ela. Além disso, direciona a trama para um pequeno drama muito eficaz, com ares de mistério e suspense, ao invés das habituais doses de aventura ou emoção incutidas em desenhos. Crianças muito pequenas talvez não se identifiquem, mas decerto vão se encantar como se abrissem uma lata de tinta e deixassem elas colocarem as mãos para pintar tudo ao redor. Afinal, a classificação do filme é livre, podendo levar crianças de todas as idades, contudo até adultos e especialmente adolescentes irão se projetar para dentro da tela com ainda mais facilidade.

Festival do Rio 2015 – Retrospectiva Estúdio Ghibli

As Memórias de Marnie  (Omoide no Mâni)

Japão, 2014. 113 min.

De Hiromasa Yonebayashi

Com vozes de: Sara Takatsuki, Kasumi Arimura, Nanako Matsushima


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