‘Atômica’

Protagonizado por Charlize Theron, longa estreia nesta quinta-feira, dia 31.

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30 de agosto de 2017

Baseado na HQ “The Coldest City”, criada por Antony Johnston e Sam Hart em 2012, “Atômica” (Atomic Blonde – 2017) entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 31, levando para as telas um filme de ação que nos remete imediatamente aos produzidos na década de 1980, estrelados por nomes como Bruce Willis, Mel Gibson, Chuck Norris, entre outros. Isto se deve não somente ao fato de sua trama ser ambientada nos dias que antecederam a queda do Muro de Berlim, mas também à sua estrutura de bem versus mal.

Charlize Theron vive uma agente especial em missão na Alemanha às vésperas da queda do Muro de Berlim (Foto: Divulgação).

Charlize Theron vive uma agente especial em missão na Alemanha às vésperas da queda do Muro de Berlim (Foto: Divulgação).

Marcando a estreia de David Leitch na direção de longas-metragens, “Atômica” usa o interrogatório da agente especial Lorraine Broughton (Charlize Theron) na sede do MI6 para mostrar, por meio de flashbacks, sua missão numa Alemanha dividida. Ao lado de David Percival (James McAvoy), Lorraine precisa recuperar uma lista que pode prolongar a Guerra Fria por muitos anos, mas sempre lidando com situações inesperadas e com o perigo constante.

Com um roteiro raso, o longa foca na ação para manter o ritmo ágil e prender a atenção do espectador. Isto acontece por meio de cenas bem coreografadas, tendo o embate de Lorraine e espiões russos como ponto alto, uma vez que foi rodado num plano-sequência surpreendente e esmerado, funcionando em grande parte por levar o elenco ao limite físico, principalmente a protagonista Charlize Theron.

O problema é que a vencedora do Oscar de melhor atriz por “Monster: Desejo Assassino” (Monster – 2003) negligenciou a composição emocional da personagem, que surge em cena com uma frieza ímpar e altas doses de Furiosa, sua personagem em “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road – 2015), mas extremamente artificial e forçada. Com isso, a atriz segue na contramão dos filmes de ação produzidos nos anos 1980 e também de franquias sobre espionagem, especialmente “007” (Idem – iniciada em 1962) e “Missão Impossível” (Mission: Impossible – iniciada em 1996), que contém protagonistas bastante carismáticos.

James McAvoy entrega mais um personagem interessante e bem construído (Foto: Divulgação).

James McAvoy entrega mais um personagem interessante e bem construído (Foto: Divulgação).

No entanto, enquanto Theron oferece um trabalho superficial e incapaz de conquistar a empatia do público, James McAvoy bebe um pouquinho da fonte de seu último longa, “Fragmentado” (Split – 2016), construindo um personagem complexo e interessante. Politicamente incorreto e passeando constantemente pela selvageria, McAvoy é o grande destaque de “Atômica”, ofuscando a protagonista todas as vezes que surge em cena. Não bastasse isso, promete ainda incomodar uma parte da plateia, especialmente a fatia feminina, com tiradas como “as mulheres estão sempre atrapalhando, não é?”.

Com uma trilha sonora que trabalha a favor da história por utilizar clássicos como “Father Figure”, de George Michael, e “Under Pressure”, do Queen, “Atômica” cumpre a proposta de oferecer entretenimento descompromissado e sem conteúdo consistente.


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