Aurora

“É um pequeno raio de luz que mostra que a escuridão não é a única possibilidade nesta vida”

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09 de outubro de 2015

Baseado em fatos reais, Aurora é uma delicada declaração de amor e respeito às milhares de crianças que, diariamente, são despejadas no lixo e enterradas como indigentes.

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A professora infantil Sofia (a estupenda atriz Amparo Noguera) está na fila para adoção há anos. Ao ler a noticia de que um bebê foi encontrado morto no lixão da região, Sofia fica impactada e decide dar um enterro digno a uma criatura que não teve chance de ter uma identidade. A partir desta decisão, Sofia, que decidiu chamar a menina de Aurora, enfrentará a indignação dos familiares e a morosidade de uma justiça nem tão justa assim. No Chile, quando um corpo não é reclamado pela família, é classificado como dejeto humano e jogado fora como lixo.

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A história é conduzida nos simples gestos de Sofia, que aos poucos vai ganhando dimensões universais captando a atenção do espectador.  O dilema desta mulher, por mais estranho que pareça, é profundamente humano e seu senso comunitário é contagiante, afinal porque deixar bebês abandonados para morrer quando há famílias ansiosas pela adoção? A motivação nos é apresentada através de uma confissão que Sofia é obrigada a fazer em um interrogatório, deixando margem para que o público interprete sua ambigüidade emocional.

O diretor Rodrigo Sepulveda apresenta delicados quadros cênicos para representar a solitária via crucis desta dedicada professora, especialmente um plano sequência panorâmico em uma praia, quando Sofia entra no mar calmo, com pequenas, mas constantes ondas, fazendo uma ponte com as condições enfrentadas para a adoção do bebê morto.

O roteiro (escrito pelo diretor) não alterou quase nada da história original de Bernarda (a verdadeira Sofia) que adotou mais três crianças mortas nos anos seguintes.

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Aurora é o tipo de filme que possui a força subterrânea de uma pequena celebração e como a própria Bernarda/Sofia diz: “é um pequeno raio de luz que mostra que a escuridão não é a única possibilidade nesta vida”.

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Festival do Rio – Premiere Latina

Aurora (Aurora)

Chile, 2014. 83 min.

Direção: Rodrigo Sepulveda

Com: Amparo Noguera, Luis Gnecco, Francisca Gavilán


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