Balanço do Segundo Dia

Destaque absoluto fica para As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra

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08 de outubro de 2017

Alguns dos destaques de hoje foram a sessão para imprensa de “Zama” de Lucrecia Martel, super coprodução argentina com a brasileira Bananeira Filmes de Vania Catani, filme para o qual já há matéria em vídeo e crítica no Almanaque Virtual, além de Première Brasil com “Praça Paris” e “Aos Teus Olhos”, sem falar na sessão com debate no Cine Odeon do soberbo “As Boas Maneiras” de Juliana Rojas e Marco Dutra, com Marjorie Estiano e Isabel Zuaa Mutange. No demais, outras dicas são “A Câmera de Claire”, novo filme de Hong Sang-Soo com Isabelle Huppert e Kim Min-Hee, além do novo trabalho também de Steven Soderbergh, uma espécie de releitura de sua própria obra “Onze Homens e Um Segredo” parodiando a classe média do interior americano, numa tentativa de assalto a banco inusitada.

Confiram uma grade de notas:

As Boas Maneiras – 9.5

Filme soberbo. Tudo. E ainda surpreende encerrando o 1° arco com quase 2/3 de filme e recomeça um novo arco quase tão interessante e hipnotizante quanto, mas com um frame final que faz todo o desdobramento valer tudo

A Câmera de Claire – 7.5

Sang-Soo ligeiramente menor nos últimos anos soberbos que anda rendendo, mas ainda assim com diálogos arrasadores que dão vontade de transcrever e com uma química irresistível da dupla principal: Huppert e Min-Hee

Logan Lucky – 6

Humor descartável, mas elenco de primeira com caracterizações acertadamente caricaturais, com destaque para a chocante versão platinada de Daniel Craig (o famoso James Bond).

 

Relembrando outras dicas dos filmes que vieram antes, mas que ainda possuem reprises para se poder conferir:

 

A Guerra dos Sexos 8

Quem surpreende é a história dentro da história, é San Junipero

Gabriel e a Montanha 7

Bonita aventura épica mas com alguns problemas de representação entre a desconstrução da elite e o abraço ao social

A Forma da Água – 9
Fantasia estonteante e que ainda alfineta a sociedade americana em sua fase áurea de Hollywood com referências ácidas que dão poder às minorias

Me Chame Pelo Seu Nome – 10

De derrubar qualquer um. E QUE monólogo final!

Henfil – 9

Doc subversivo sobre artista subversivo. No ponto para tempos atuais. Só fica um tico deslocada a parte que tenta homenagear os próprios desenhos dele, com garotada reproduzindo-os

Clara Estrela – 7.5
Doc tradicional sobre Clara Nunes,mas a artista merece as 2h contendo performances lindas e debates sobre as raízes e estudos da arte

Detroit em Rebelião – 9

Porrada no estômago, mas necessária, porque silencia quem está na tela, já que remete aos estarrecedores fatos reais, e quem está na plateia, em choque.

Vida em Família 6

Comédia chilena simpática, e sem final fácil, mas os arquétipos ali colocados possuem uma boa complexidade que poderia ser melhor trabalhada

Cadáveres Bronzeados – 6

Esteticamente avassalador, porém a falta de estofo e o afobamento na evolução linguística afoga as múltiplas referências super válidas se analisadas em separado.