Balanço do Sexto Dia no Festival do Rio 2017

Destaque para The Florida Project e 120 BPM

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13 de outubro de 2017

Dia cheio no Festival do Rio 2017.

Começamos por “120 Batimentos por Minuto” de Robin Campillo, filme francês premiado em Cannes com o Grande Prêmio do Júri e o prêmio FIPRESCI, e que não deixou nada a desejar. Com um tema intenso, que foi o da conscientização da AIDS no início da década de 90, o filme segue um grupo de jovens que batalham por seus direitos a suporte do governo e tratamento público, questões relevantes até hoje. Apesar de certo grau didático no roteiro e nos diálogos, é completamente compreensível, afinal, os personagens trabalham com ativismo social em suas atividades e manifestações, o que envolve evidentemente possui um conhecimento de causa natural bastante avançado. Não é o filme que é didático, e sim o próprio assunto que tem a necessidade de ser para poder existir historicamente, pois com um pouco mais de três décadas e as pessoas continuam consideravelmente ignorantes quando se trata de AIDS, apesar de certos avanços inegáveis. Vale ressaltar que o protagonista brilha intensamente na pele de Nahuel Pérez Biscayart.

Depois, o filme “Thelma” de Joachim Trier (“Mais Forte Que Bombas” e “Oslo, 31 de Agosto”) e com o corroteirista habitual, o também cineasta Eskil Vogt (“Blind”), talvez seja um daqueles filmes com que vamos cheios de expectativa, até pelos nomes envolvidos, e isso pode prejudicar um pouco o rendimento. Definitivamente é um que merece ser visto mais de uma vez, especialmente fora da correria de um Festival. É um ótimo filme, porém deixa a impressão de já termos visto isso antes. Por exemplo, com o filme do Festival do ano passado “Raw” de Julia Ducournau, que mesmo possuindo os mesmíssimos arquétipos, consegue ser inegavelmente uma obra-prima ímpar.

Já com a Première Brasil na sessão do Cine Odeon seguida de debate, foi a hora de um dos mais esperados, com o forte candidato “O Animal Cordial” de Gabriela Amaral Almeida. Não tem como não amar. Um misto delicioso de “Delicatessen” de Jean-Pierre Jeunet com “O Cozinheiro, O Ladrão, sua esposa e seu amante” de Peter Greenaway, com pitadas de Tarantino e… grandes porções da própria Gabriela Amaral Almeida, porque só ela mesma para alcançar tal obra que se destaca completamente de tudo o que está sendo feito. Até porque quem ainda não conhece os trabalhos anteriores dela precisa conhecer, uma vez que são alguns dos melhores curtas-metragens e roteiros para longas-metragens da década, como “Trabalhar Cansa” codirigido pelos parceiros habituais Juliana Rojas e Marco Dutra, ou “Quando Eu Era Vivo” dirigido apenas por Marco. Vale ressaltar que os amigos estão com um filme também na Mostra Competitiva da Première Brasil, “As Boas Maneiras”, disputando de igual para igual com “O Animal Cordial”.

Já o último filme da noite por este almanaquista foi o instantaneamente antológico “The Florida Project” de Sean Baker, mesmo diretor que já havia feito história com seu filme anterior, “Tangerine”, primeiro longa-metragem lançado no circuito comercial a ser filmado inteiramente por celular. É assim que às vezes a magia do cinema acontece. Até a metade do filme “The Florida Project”, este crítico estava achando que era uma divertidíssima comédia de brincadeiras de criança montadas com esmero para parecer uma narrativa coerente… Até chegar a amargura do abandono, negligência e abuso da segunda metade e fazer todos os que riram com a primeira parte se sentirem culpados. Só a magia do cinema consegue essas catarses. Uma das maiores catarses que já passei no cinema. A cena do Magic Kingdom provoca lágrimas reais de emoção, pois a Disney nunca foi tão dolorosa na telona do cinema.

http://almanaquevirtual.com.br/the-florida-project/

Também houve a cobertura do almanaquista Rodrigo Fonseca no Cine Lagoon, e ele pôde conferir o tapete vermelho de mais um filme da Mostra Competitiva da Première Brasil, “Como É Cruel Viver Assim” de Julia Rezende, com o seguinte vídeo:

http://almanaquevirtual.com.br/festival-do-rio-2017-fargo-da-via-dutra-filme-de-julia-rezende-tem-na-fotografia-um-diferencial/

E conferiu também o longa da Mostra Competitiv de documentários “Dedo na Ferida” de Silvio Tendler:

http://almanaquevirtual.com.br/festival-do-rio-2017-dedo-na-ferida-e-ovacionado-com-gritos-de-bravo/