Barreiras

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23 de novembro de 2017

Pré-candidato para representar Luxemburgo no Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, “Barreiras” acompanha três figuras femininas de diferentes gerações: a avó protetora e inflexível Elizabeth (Isabelle Huppert), a mãe ausente de 30 anos Catherine (Lolita Chammah) e a fria e desconfiada filha de 10 anos Alba (Thémis Pauwels). Após dez anos vivendo na Suíça, Catherine retorna a Luxemburgo para tentar conquistar o amor da filha Alba, até então criada por sua mãe, Elisabeth. Assim que coloca os pés em sua cidade natal, Catherine se depara com uma filha e uma mãe distantes e relutantes em deixá-la voltar a fazer parte de suas vidas. Ela logo percebe que precisará lutar para exercer seu papel maternal dentro de uma família em que os papéis já foram determinados.

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Segundo longa-metragem dirigido por Laura Schroeder, “Barrage” (no original) possui enredo batido e não traz nenhum elemento novo em comparação a filmes semelhantes. A barragem do rio próximo ao chalé onde Catherine leva Alba serve como metáfora para a jornada de construção dessa relação, que encontra muitas barreiras psicológicas, temporais e familiares pelo caminho. O que era para ser um filme com algumas cenas emocionantes com maior profundidade, acaba sendo algo tão distante quanto os relacionamentos mãe-e-filha. O espectador não consegue criar uma conexão com nenhuma personagem. Após tantos anos longe, pouco é questionado por Alba sobre o passado de Catherine e os motivos que a levaram a abandoná-la, e os breves conflitos presentes na trama parecem se perder ou ser esquecidos sem um desenvolvimento no roteiro de Marie Nimier e Laura Schroeder.

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Lolita Chammah, filha verdadeira de Isabelle Huppert, que aqui aparece como uma mera figurante de luxo sem mostrar a potência costumeira de suas atuações, encontra em “Barreiras” uma chance de provar que existe um talento independente da fama de sua mãe e, junto com a pequena Thémis Pauwels, carrega o filme nas costas. Com músicas Pop que destoam do clima do longa e cenas contemplativas que parecem estar ali para aumentar o tempo de projeção, “Barreiras” se comunica com o público mais pelos silêncios que pelas palavras, já que não são muitas. Carece de emoção e de um algo a mais, embora as atuações femininas sejam satisfatórias, principalmente da menina Pauwels.

 

Barreiras (Barrage)

Luxemburgo / Bélgica – 2017. 112 minutos.

Direção: Laura Schroeder

Com: Isabelle Huppert, Lolita Chammah e Thémis Pauwels.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3