Batalhas Íntimas

Documentário-denúncia sobre a violência doméstica no mundo é um dos destaques da Première Latina

por

14 de outubro de 2017

Quando se ouve falar em violência doméstica, a primeira coisa que normalmente vem à cabeça é agressão física; a violência psicológica muitas vezes fica esquecida e é, inclusive, ignorada pelas autoridades quando as vítimas tomam coragem de pedir ajuda. Os números de mulheres que passam por situações terríveis causadas por seus parceiros todos os dias em todos os cantos do mundo são alarmantes, e isso porque vários casos não são denunciados por medo, o maior poder do agressor contra a vítima.

No documentário “Batalhas Íntimas”, a cineasta mexicana Lucía Gajá apresenta cinco mulheres, de nacionalidades e personalidades distintas, vítimas e sobreviventes de violência doméstica relatando suas histórias de dor e luta. Gravado durante oito anos, o longa investiga a fundo as causas do problema, advindas da herança da sociedade machista patriarcal que perdura ainda hoje, que vão muito além de origem, classe social, raça ou formação acadêmica, e revela os traumas físicos e emocionais e as sequelas deixados pela agressão e hostilidade sofridas dentro do próprio lar, o lugar que deveria ser o nosso maior porto-seguro.

Ouvir relatos das próprias vítimas é sempre mais chocante que assistir a um filme ou série, mesmo que baseados em fatos reais. Cada depoimento é quase tão brutal para o espectador quanto as agressões que as mulheres sobreviventes sofreram no passado e que ainda amargam as consequências junto com suas respectivas famílias, principalmente os filhos. Em quase todos os casos apresentados por Gajá em “Batallas Íntimas” (no original), as mulheres tiveram apoio e acolhimento em abrigos especiais para mulheres e seus filhos em situação de risco após abandono de maridos agressores, e informações sobre todos os locais (dos países que participaram) são disponibilizadas nos créditos do filme a fim de encorajar as mulheres que estão em circunstância de ameaça a denunciarem para sair dessa vida de extrema repressão.

O documentário-denúncia de Gajá tem uma importância incomensurável por tornar públicos casos gravíssimos de violência doméstica ocorridos em diversos países, como Estados Unidos, México, Espanha, Finlândia e Índia. “Batalhas Íntimas” tem como maior objetivo alertar mulheres do mundo inteiro – as que já sofreram, as que sofrem ou mesmo as que não sofrem violência dentro de suas casas, para evitarem que aconteça, para observarem sinais de que outra mulher possa estar passando por isso, para aumentar a empatia, para criarem homens melhores para que não se tornem futuros agressores e para que sempre ajudem e apoiem umas às outras.

 

Festival do Rio 2017 – Première Latina

Batalhas Íntimas (Batallas Íntimas)

México – 2016. 87 minutos.

Direção: Lucía Gajá

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4