‘Baywatch – SOS Malibu’: praia ensolarada para o riso

Comédia mais parafinada do ano, "Baywatch" resgata a estética pop dos anos 1990

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22 de junho de 2017

Reféns da excelência autoral do cinema americano dos anos 1970 (Scorsese, Coppola, Bogdanovich & cia.), a indústria do audiovisual ergue as mãos pro céu ao ver um ou outro (aqui e beeeem acolá) diretor da década de 1980 ser louvado como sintoma crítico de sua época (tipo John Hughes ou Emir Kusturica). Por isso, ver um fenômeno dos 90s ser resgatado como um bastião de potência estética é uma experiência não só rara como surpreendente. Talvez a incapacidade que ainda temos de lidar com os chamados “anos perdidos”, período de 1989 a 1999, justifique, em parte o fiasco, lá nos EUA, de “Baywatch – SOS Malibu”, um resgate de um dos mais populares seriados daquele tempo. Era anos 1990 na veia, em suas futilidades e em suas ralas utopias, quase sempre ecológicos.

Elenco da adaptação cinematográfica da série homônima protagonizada pelo canastra David Hasselhoff nos anos 1990 (Foto: Divulgação).

Elenco da adaptação cinematográfica da série homônima protagonizada pelo canastra David Hasselhoff nos anos 1990 (Foto: Divulgação).

Com passagem por series como “Parks and Recreation”, o diretor Seth Gordon entende todos os códigos do instantâneo que regem a televisão. E levou esse entendimento às aventuras praianas do salva-vidas Mitch Buchanan, antes vivido pelo adorável canastra David Hasselhoff e dado aqui ao perseverante The Rock, o campeão de bilheteria batizado de Dwayne Johnson. Seu desempenho como herói cômico é sempre no ponto, alcançando aqui voos mais altos. As rusgas entre ele e o recruta Matt Brody (Zac Efron, a léguas de seu xaroposo passado “High School Musical”) elevam o tônus humorístico deste thriller debochado, que se candidata ao posto de melhor comédia made in Hollywood de 2017. Está ali pau a pau com “Chips”, que também veio da TV e também não aconteceu. São tempos magros para o gênero, pois, afinal, são tempos de Trump, e o degredo moral pesa e tira a graça – a comédia feita aqui também anda mal.

Dwayne Johnson (Mitch) e Zac Efron (Matt): rusgas entre os personagens elevam o tônus humorístico deste thriller debochado (Foto: Divulgação).

Dwayne Johnson (Mitch) e Zac Efron (Matt): rusgas entre os personagens elevam o tônus humorístico deste thriller debochado (Foto: Divulgação).

Mas o resultado americano irregular de arrecadação de “Baywatch” não pode ofuscar suas qualidades estéticas, a começar pela precisão de suas piadas. Existe um fio narrativo policialesco, rígido como cabo de aço, servindo de medula ao filme. Nele, Mitch, suas Namoritas e seus Aquamen vão à caça da fonte de uma droga da pesada que encontram no mar. A investigação leva a turma a um caso de corrupção resolvido com um misto de adrenalina e gargalhada.

No Brasil, “Baywatch: SOS Malibu” chegou às telas com dezenas de cópias dubladas, tendo Guilherme Briggs como a voz brasileira do rochoso Dwayne Johnson.


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