BBB21: Rejeição recorde?

Quem surpreende a quem?

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15 de fevereiro de 2021

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Sim, todos queremos a eliminação de Nego Di com recorde histórico. Não nego. Não discordo.

Mas vamos refletir algumas coisas (independente disso tudo acima)?

Não vou nem começar com a autocrítica de que estamos dando audiência e voto gratuito pra uma emissora hegemônica que nem precisa da gente pra fazer o que quiser de nós, né? Mas tudo bem, vamos nos dar uma colher de chá já que ainda estamos numa quarentena, né…? Pelo menos distrai.

Mas a grande questão não é a causa. A causa todos concordamos. A questão é a consequência. Sim, estas personagens erraram por conta própria. É um programa de TV… Há dramaturgia, mesmo sendo o “show da realidade”, pois a montagem de imagem e som e vários outros códigos de manipulação que geram dramaturgia e mise-en-scène sim. São reais, mas reduzidos por tempo de tela e lugar de escuta seletivo a personagens. O programa sabe muito bem que, quando possui vilões, a audiência aumenta.

Aqui fora, na vida real, essas pessoas também têm boletos apagar, trabalhos a fazer, famílias pra amar… mas ali, naquele curto período de duração sob ultra visibilidade, elas assinaram contratos autorizando o uso da imagem pra serem odiadas pelo Brasil inteiro. Não, não estou com isso dizendo que não tomaram decisões (boas ou ruins, inteiras ou parciais)… Tomaram sim. Nem estou dizendo que a montagem manipula tudo e todos. Há brechas de autonomia sim. Tirando uma ou outra interferência como a de Boninho sobre Projota…

Mas, após a eliminação, a vida continua. E mesmo que queiramos eliminar o tido como “gabinete do ódio” por rejeição recorde, no fim das contas teremos o quê? Ok ok, é um jogo. Entraram sabendo as regras né. Sim. Karol, então, mais que os outros, parece saber que está sendo rejeitada e abraçando o papel de vilã, tipo “Scary Spice”… Projota possui talento inegável pra rima e musicalidade pra além desse jogo… mas eles já eram artistas antes. Sabem lidar com a proximidade do fogo que queima. Mas lembremos: são seres humanos ali. A produção sabia exatamente o que fazia quando juntou personalidades tão diversas. Sabia a pólvora que era juntar representatividade com discursos reduzidos, porque lá não é permitido se falar de tudo, e, assim, fragmentos de identificação são facilmente reordenados e distorcidos pela lente de aumento da TV. Infelizmente, a emissora queria e sabia relativizar uma potência ora deslocada. Como se a edição 2021 precisasse superar 2020, e, pra isso, criar uma nova narrativa, outros discursos. Não podia se “repetir”… Mas, no fim das contas, o que teremos é 4 pessoas negras e suas potências reduzidas a 4 recordes de rejeição no paredão. Não se enganem, reitero, também estou torcendo pelo recorde de rejeição de Nego Di. Mas não por “castigo”. Não estamos castigando ninguém aqui. Nem temos poder pra isso. Somos tão manipulados por diversão e entretenimento quanto a montagem do programa. Isso é um jogo, não? Estamos em plena pandemia e queremos jogar… Pra além de um jogo, é narrativa. É dramaturgia. E, quanto mais complexa, maior o entretenimento, não? Não queremos um jogo óbvio, certo? Nada de previsibilidade! Então, que o recorde de rejeição de Nego Di aconteça e estremeça o jogo, quebre alianças e retire a previsibilidade até aqui. Essas “personagens” são pessoas muito mais complexas do que isso, e falta mais de 60 dias ainda… 2/3. Que tal eles nos surpreenderem? Ou mais do que isso, que tal nós surpreendermos a nós mesmos?