“BELO MONTE: um mundo onde tudo é possível”

Documentário estreia nesta quinta-feira, dia 13.

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13 de abril de 2017

Exatamente na semana em que o depoimento do empreiteiro Marcelo Odebrecht ao juiz Sérgio Moro relata pedido de pagamento de propina na construção da barragem de Belo Monte, estreia nesta quinta-feira o documentário “BELO MONTE: um mundo onde tudo é possível”, dirigido por Alexandre Bouchet. O título é irônico diante do que sabemos se tratar a urgência da obra. Tudo é possível quando bilhões estão em jogo. O filme pretende mostrar que a usina que está sendo construída na bacia do Rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no norte do Pará, com o objetivo de aumentar a oferta de energia, pode representar uma das maiores tragédias sociais na região e graves danos ao ecossistema do planeta.

A hidrelétrica foi inaugurada em 05 de maio de 2016.

A hidrelétrica foi inaugurada em 05 de maio de 2016.

Ligar uma lâmpada, uma ação tão simples e rotineira, é fundamental na civilização e no desenvolvimento, e não podemos ignorar que o tema deve ser preocupação de todo cidadão. Mais que isso, precisamos saber como essa energia vem para nossa casa, o quanto ela nos custa e quais os efeitos da sua geração.

Sem entrar diretamente no campo da Lava Jato, o longa focaliza os efeitos econômicos, sociais e ambientais para as comunidades ribeirinhas por conta da obra que alterou o curso do rio Xingu. No entanto, a opção de destacar vários flagrantes da resistência indígena e dos exploradores da empreitada, peca pela superficialidade. Faltam imagens e depoimentos mais detalhados das ações naquele contexto. Os entrevistados entram e saem de cena, sem que tenhamos tempo de digerir quem são, de onde vieram e onde foram parar.

O documentário tem correta narração do ator Roberto Frota, mas o texto aparenta falta de riqueza no casamento entre imagem e palavra, com pouca informação que complete o que está na tela. As imagens genéricas não necessitam ou não são enriquecidas pela narração.

“BELO MONTE: um mundo onde tudo é possível” apresenta pouca novidade, além do que a imprensa já vem noticiando. Lá estão a resistência indígena e da Igreja Católica, o cafetão que ganha dinheiro dos operários e a ação da polícia diante do crescimento da criminalidade em Altamira. De fato, a realidade brasileira está repleta de grandes histórias, mas a polêmica que envolve da construção de Belo Monte, necessita de uma apuração mais profunda.

Avaliação Ana Rodrigues

Nota 3