Berlin Alexanderplatz

Sofisticada visão plástica que fica a meio caminho de conseguir uma visão decolonialista

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03 de novembro de 2020

Existem igualmente outros exemplares na 44ª Mostra de SP que se equilibram no cabo de guerra de forças opositivas, ficando ao gosto do freguês. Há de exemplo a audácia de terem refilmado a obra-prima “Berlin Alexanderplatz” do saudoso mestre Fassbinder, agora numa pegada millennial pelo diretor alemão de origem afegã Burhan Qurbani (confira entrevista aqui), mas com a grata química da dupla de protagonistas Albrecht Schuch e Welket Bunguê (ator e diretor da Guiné-Bissau que possui trabalhos notáveis até com o Brasil, como “Corpo Elétrico” de Marcelo Caetano) – gerando alguns dos planos mais belos em capítulos irregulares, que vão bem até a metade, quando infelizmente desandam.

Na trama: Ao sobreviver ao naufrágio migratório da África Ocidental, Francis acorda em uma praia no sul da Europa, determinado a viver uma vida decente e regular a partir de agora. Mas ele acaba na atual Berlim, inicialmente resistindo a uma oferta de traficar drogas no parque Hasenheide, porém descobrindo que seus atos possuem consequências – para o bem ou para o mal.

Talvez os primeiros 2 capítulos realmente estejam acima da média, maravilhosos, atualizando a obra original pra questões interessantes com os tempos de agora. Planos lindíssimos, plenos de cores e iluminação sofisticada e criativa, bem como com personagens intrigantes criando tensão não binária, além de excelentes coadjuvantes LGBTQIA.

O 3° capítulo acrescenta uma personagem crucial pra trama, mas que pode levar pra caminhos diferentes do que fossem preferíveis a se desdobrar dos 2 primeiros episódios (apesar de a intérprete defender bem o papel, mas um roteiro não sobrevive apenas de boas intepretações…) … E eis que os capítulos finais…bem… vão numa direção oposta ao que estava fazendo este presente texto abraçar o filme até então.