Berlinale 2018: Coletiva de “Touch Me Not” de Adina Pintilie

Filme romeno compete pelo Urso de Ouro 2018

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23 de fevereiro de 2018

Berlinale 2018: Coletiva de imprensa do filme “Touch Me Not” da romena Adina Pintilie.

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Primeiramente, o mediador começa elogiando que logo na 1° vez no Festival e já na Competição principal. Como conseguiu essa intimidade com seus personagens?

Adina responde que gastou muitos anos de sua vida com noções pré-concebidas para descobrir que não precisava delas. E ela considera que foi mais encontrada por seus personagens do que os encontrou. Leu diários de exercícios que ela pedia a todos, e tinha feedback e retornos, até estarem 100% confiantes. Quando comecou
A eficiência veio de se sentirem seguros como numa rede de segurança que os permitiu trabalharem com liberdade total. E a diretora agradece muito a seus colegas na mesa e do filme por terem colocado suas almas à disposição.

A atriz Laura Benson diz que já leu que a liberdade tem a ver com como você consegue lidar com isso e com as consequências. Laura se guiou pela expressão: “let go” (se libertar/se lançar). E confiou na diretora, que não tinha uma ideia pronta para impor, e sim começou a dirigir pela montagem. Laura nunca trabalhou com uma diretora que trabalhasse “com” você. Em parceria.

O ator Tómas Lemarquis já havia escutado sobre o trabalho da diretora, o que ajudou a confiar no seu trabalho, pois teve de se jogar como de um precipício, e se arriscar e se colocar. Os personagens são um misto de realidade e ficção, sem saber onde começa um e onde termina o outro.

O ator Cristian Bauerlein pede desculpas se alguém não entender o que ele disse (por sua deficiência), mas é só pedir para ele repetir, e diz que sempre se interessou por estudar intimidade, e estava disposto a se abrir.

Grit Uhlemann, companheira de Christian, também diz que foi confiança que guiou este processo. Que é companheira de Christian há uns 4 anos, e têm uma vida de muitas aventuras juntos, e tiveram o incentivo para se doar ao projeto como um casal.

Hanna Hofmann diz que de princípio estranhou o pedido, porque não se considera uma artista, e atendeu ao convite da diretora como atendimento a uma cliente que procurava uma prostituta trans. Mas foi a primeira vez que foi chamada por uma mulher. Normalmente apenas mulheres. E achava que só teria de ir lá e fazer “o serviço”, mas aí descobre que era só para observar e ser observado. E ainda mais por ter de lidar com uma pessoa que não conseguia lidar com a própria sexualidade.

Seani Love também não costuma atuar, e é um profissional da terapia sexual. E se sentiu honrado também em ser chamado para o projeto. E foi incrível chegar lá e poder se sentir confortável em fazer o seu trabalho. E é incrível ver o resultado de todos os personagens selecionados na internet terem conseguido espelhar a essência da própria diretora.

Irmena Chichikova também diz que não previa para o que havia sido chamada, mas o que acabou ajudando a curá-la de algo que realmente estava passando. E Adina foi mágica em conseguir fazer passar isso. De ajudá-los a cruzar barreiras. Até porque nunca havia sequer passado por um clube BDSM, e foi uma experiência incrível e assustadora e transformadora e tudo junto.

Sobre às vezes se enxergar o limiar entre os personagens serem atuações ou eles mesmos…
Tómas diz que primeiro ele mesmo precisava saber quem ele é. Pois, por exemplo, acredita em reencarnação. Então qual/quais deles é ele? Ou todos são ao mesmo tempo. Mas a cena do BDSM foi literalmente transformadora, e isso está inclusive incluído no filme. Ele muda após aquilo.
Laura responde com uma citação de que se diz que uma artista jamais seria quem é se não fosse o acúmulo de papéis que interpretou. Então você empresta algo de si e recebe de volta toda vez. E que durante o processo se sentiu transformada. Ela tinha . Tanto que teve pesadelos durante as filmagens do clube de BDSM, e sonhava que estava presa e acordava gritando. Com isso ela entendeu e sentiu algo que talvez de outra forma jamais compreenderia.

Christian diz que a parte do clube BDSM é completamente ficcional, mas ao mesmo tempo o transformou.

O filme lhes deu segurança para visitar esses outros lugares de si, e explorá-los com segurança.

Laura acrescenta que a profissão de artista é a única que aproveita como uma coisa boa ter problemas. Pois problemas podem ser convertidos em atuação. E são processados de forma a reunir tudo no personagem.

Sobre a fotografia e a imagética do filme, a diretora pede que o diretor de fotografia responda, e ele diz que é um conflito e é contraditório também, como as outras coisas do filme. Pois sempre Adina dava direcionamentos em estritos e depois liberdade total. Lidava com liberdade, controle e anarquia na arte e na fotografia como os personagens lidavam no filme. Em termos técnicos usou lentes de grande profundidade, para dar impressão de quartos longos e distantes, de camas enormes etc.