Berlinale 2018: Debate sobre o filme “Museo” de Alonso Ruizpalacios com Gael Garcia Bernal

Gael Garcia Bernal chega de surpresa quasr no final da coletiva de imprensa

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22 de fevereiro de 2018

E subitamente, Gael Garcia Bernal que nem era esperado no debate do filme “Museo/Museum” chega totalmente de surpresa para todes!

Berlinale 2018: Debate sobre o filme “Museo” de Alonso Ruizpalacios, com o próprio presente e o elenco: Leonardo Ortizgris, Ilse Salas e… Gael Garcia Bernal, direto do aeroporto para cá.

A mediadora abre o assunto dizendo o quão gratificante foi ver uma trama que ousa apresentar ladrões que encontram uma moral no final.

O diretor/roteirista estava encantado com a questão “Crime e Castigo” da história. E que entrou na história e se conectou através de pequenas coisas como o pai do protagonista ser médico e o pai do diretor também ser. Foi através do interior dos personagens que se conectou.

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Sobre o trabalho de roteiro e de câmera do filme, o diretor diz que começou com uma história verídica famosa no México que aconteceu em 1985. E veio chegar em suas mãos através de Manuel Acaiá, e sempre se fascinou por como a identidade nacional colide com a pessoal. E começou a eliminar as questões externas, como o plot/trama, etc, e focar no lado íntimo e pessoal dos indivíduos. Pensaram juntos, o diretor e Manuel tiveram de decidir o que eliminariam da realidade. As próprias famílias dos envolvidos não queriam ver aquilo adaptado para o cinema, então acabou ajudando para se libertarem. A procurarem as motivações internas.

E sobre a fotografia, trabalha já com seu fotógrafo de um tempo, e insistiram com o produtor para filmar em 35mm, pois precisavam do granulado e do calor de filmar de forma grandiosae classica. No demais, ele repete que tiraram o que não fazia parte do principal, do cerne da intimidade dos personagens.

Sobre os fatos verídicos que atravessam a história como o terremoto, e o fato de os ladrões originais terem sido desconhecidos e não profissionais. O diretor diz que o terremoto era só um fato maior que ajudou a notabilizar a história, mas nem atingiu diretamente a região onde os ladrões moravam. E eles eram pessoas ordinárias.

Até mesmo a motivação dos personagens ao mesmo tempo que é ordinária, também é um mistério até hoje, pois nunca foi revelado completamente. O diretor até tentou se aproximar das pessoas envolvidas originalmente. Mas nem assim conseguiu saber. Até no filme há a cena em que o pai pergunta, e a relação com o pai (Alfredo Castro) também é muito importante no filme, mas a relação em si é mais importante do que a motivação.

O ator Leonardo fala que ao menos a motivação de seu personagem era seguir cegamente seu melhor amigo.

De repente, Gael Garcia Bernal irrompe no recinto sob aplausos, já que não era esperado para a mesa de debate.
O diretor volta a falar que foi um praze trabalhar com Gael, até porque ele tinha o físico do personagem, e Alonso ainda brinca que ele é baixinho como ele, e há muito de si mesmo colocado na história mesmo que baseado em fatos reais. Alonso agradece também ter uma equipe de amigos, porque fazer cinema já é muito difícil e não conseguiria sem os amigos. Até porque possui uma companhia de teatro e usa seus atores em todos os projetos. Uma das únicas exceções importadas de fora foi o chileno Alfredo Castro, que ele admira muito, e, mesmo sabendo que não teria o físico do personagem, abriria uma licença poética (e o diretor mais uma vez brinca de comparar com o seu próprio pai na vida real e sua projeção pessoal no projeto.

Os atores ainda respondem sobre como reagiram a trabalhar com 2 fatos tão notórios para o México como o terremoto e o roubo do museu. Em parte, Gael responde (vide o vídeo abaixo) primeir brincando que o elenco não seria velho o suficiente para lembrar, mas depois responde sério que sobre o terremoto ele tinha uma lembrança melhor sim, mas sobre o roubo foi a primeira vez que ele sequer ouviu falar melhor sobre o assunto, mesmo que pudesse já ter ouvido falar e guardado no fundo da memória. Já Leonardo fala que se lembrava mais sobre a fama do assalto do que propriamente dito os detalhes dele. Até porque os detalhes eram enevoados até para a população mexicana, e ele mesmo fez pesquisa para contrapor os fatos com os mitos.