Berlinale: Coletiva com Helen Mirren homenageada por sua carreira

Helen Mirren recebe Urso de Ouro pela carreira

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28 de fevereiro de 2020

Berlinale: Coletiva com Helen Mirren homenageada por sua carreiraHelen Mirren recebe Urso de Ouro pela carreira. Resumo transcrito por Filippo Pitanga em 27 de fevereiro de 2020

Coletiva com atriz Helen Mirren, que será homenageada esta noite por sua carreira com um Urso de Ouro especial.

O mediador começa introduzindo Helen como uma pessoa que dispensa apresentações, e comprometida com a responsabilidade de uma figura pública.

Como foi importante começar a carreira com Shakespeare no palco?

Helen diz que não tinha interesse de início no cinema… Não tinha nem tv em casa. Não via filmes. Lia muito.

Ela lia muitos livros sobre o teatro e peças publicadas. Queria ser como as grandes damas do teatro quando criança. Era fascinada pelas divas do teatro. Essas eram as imagens que lhe atraíam.

Só depois veio a entender o quão incrível é a interação que o cinema proporcionava… Era bastante igorante sobre o processo e sobre atuação pro audiovisual…só havia visto poucos filmes quando jovem.

Sobre conhecer e interpretar a rainha…

Já havia a conhecido brevemente antes. Recebeu a honra de “Dama” dada pela realeza antes de fazer o filme. A conheceu numa tenda enorme antes disso rapidamente… Só veio a ter interação real após interpretá-la.

Veio de uma família nada aristicrata e não acredita em realeza nem em títilos, e sim na organização do Estado através de uma República presidencial… Mas quando a conheceu, a Rainha cresceu nela e Helen veio a respeitar muito a iconografia do que ela significa. Ela interpretou também Rainha Elizabeth I e elas foram parecidas em muitos significados em comum. Ambas não queriam a coroa, mas quando o manto recaiu sobre elas, de fato assumiram a responsabilidade à altura.

Sobre seu trabalho desde os primórdios como “Calígula” etc…e filmes com soft porn…

Helen diz que sim, teve esses momentos…E Calígula chocou muita gente… E só era exibido em cinemas pornôs e “não normais”… Mas tinha certeza de que em 20 anos exibiriam na tv….e estava certa. Hoje temos coisas muito mais fortes em Game of Thrones… Existia deliciosa anarquia na época que é diferente d de hoje… E amava os envolvidos como pessoas maravilhosas… E eles editaram cenas reais de arquivo de soft porn na montagem que não são os artistas em todas as cenas, mas se vocês tirarem isso, o filme é vanguardista e retrata Roma com veracidade.

Sobre o que o Urso de Ouro de homenagem significa pra ela e qual o diferencial do Festival?

O diferencial é a cultura de cinema daqui, dos espectadores que não têm medo de falar o que sentem. E veio pela primeira vez décadas atrás e foi o filme de abertura na época. Ela tinha a agonia de chamarem no palco pra falar com o público logo depois, e dava pra ouvir as vaias…e o diretor não entendeu e achou que era um elogio….mas não era rsrs, e lembra de tentar explicar para ele. E ela admira essa franqueza…então uma homenagem neste Festival significa ainda mais, principalmente por vir desse tipo de organização.

Quando começou não necessariamente escolhia os trabalhos, aceitava o que tinha. E queria aprender a técnica do audiovisual. Os papéis lhe escolhiam e não o inverso. Mas apesar de sempre importar o roteiro, porque se não estiver na folha e começar a magia nas palavras escritas, não vai mudar depois do nada (ou seja, se já não tiver pelo menos um brilho inicial primeiramente no roteiro não vai aparecer depois sozinho)… Porém mais do que isso, para Helen importa muitíssimo quem está envolvido, as pessoas importam muito. A partir do momento em que se envolvem num projeto, elas passam a fazer parte de sua família…então importa muito escolher cuidadosamente.

Ela amou elogios ao filme “Love Ranch” com Joe Pesci, dirigido pelo marido dela. Ela diz que é um de seus próprios trabalhos que mais amou fazer e sente muito por ter sido um filme que desapareceu muito rápido.

Perguntada sobre franquia “Velozes e Furiosos”, Helen elogia Vin Diesel como presença poderosa, sua voz, corpo etc…Há diferença entre eles, ele é estrela do cinema (movie star), ela não é isso, é uma atriz (actress).

Sobre como ela lê o script, (e ela brincou em pedir segredo sobre isso e não contarmos para ninguém), ela respondeu que primeiro lê a última página para ver se ela está lá… e isso é um ótimo sinal. Se não estiver, procura as páginas anteriores para ver se ela tem alguma grande última cena… E se mesmo isso não há, ou ela desaparece…. Péssimo sinal, e talvez não leia desde o começo.

Sobre Stephen Friers, ela diz o quanto o considera genial… e eclético na escolha de projetos: ele vai de A Rainha para “Minha Adorável Lavanderia”….varia tanto de projetos….é um modelo para cineastas…sem mente estreita. Aí ela conta uma curiosidade de que o filme “A Rainha” nasceu de combinação de ideias… Os produtores da série que ela fazia “Prime Suspect”, perceberam uma similaridade de Helen com a Rainha e encomendaram um script. Mas Helen queria ler o roteiro porque os britânicos fazem muita troça da família real (ela repete: não é afeita à realeza porque é afeita ao formato de República), e não queria faltar com o respeito com eles… E quando finalmente leu o roteiro, a escrita era sensível e humana, e falava sobre o fenecimento da realeza, poeticamente. Um fenecimento que a mídia também ajudou a acontecer: vocês fizeram um “ótimo” trabalho nisso (ela foi irônica com a sala de imprensa para a qual ela estava se dirigindo — risos).

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