Berlinale: Coletiva de Berlin Alexanderplatz de Burhan Qurbani

O Filme compete pelo Urso de Ouro no 70° Festival de Berlim

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26 de fevereiro de 2020

Coletiva do filme “Berlin Alexanderplatz” com o diretor e roteirista Burhan Qurbani, o corroteirista Martin Behnke, e com elenco: Welket Bungué, Jella Haase, Albrecht Schuch, e produtores Leif Alexis e Jochen Laube

Sobre o espelho de bem e mal com o corpo dos 2 protagonistas… o ator Albrecht diz que a linguagem corporal diferenciada já estava planejada, e foi inspirada em alguns de seus ídolos (ele falou em Alemão e o tradutor oficial não traduziu os nomes). Sim, tem algo sobre a tentação que o personagem se sente como se fosse Deus, mas é o Diabo, ambos muito próximos. E ensaiou muito no cemitério, curiosamente, porém mais pela coincidência de ser um lugar calmo e silencioso perto das filmagens do que pelo símbolo da coisa em si.

Para o diretor, o diabo é a falta de amor… A personagem de Mizen é a habilidade de não ter medo e ser passível de amar. Olhar com amor para além da distorção de como olhar dos outros lhe julgam.

O ator nasceu na Guiné Bissau e foi bem cedo pra Portugal. Sabia desde o princípio sobre ser de fora… Ele tinha essa necessidade de dizer suas próprias histórias, escrevê-las, até como diretor, pois já dirigiu alguns filmes que, sempre que pode, usa na atuação, como no personagem deste filme, assim como se inspira igualmente no trabalho coletivo do elenco e equipe que possibilitaram tudo no filme a brilhar.

O diretor diz que o som e a música foram muito pensados… O som teve muita ajuda de um aluno dele, inclusive. E há muitas respirações resfolegantes no fundo do desenho de som, representando a questão da imigração e a babel de linguas. E que flui com a trilha e o texto.

Perguntada sobre ter ganhado o prêmio Golden Star de promessa anos atrás, além do legado da série de seus filmes comerciais “Fack ju Göhte” e voltar pela primeira vez na competicão principal, a atriz diz que tem muito orgulho de seu legado e de ter voltado, e apoia todos os personagens que já interpretou. Não tem vergonha de forma alguma, mas sente orgulho de poder fazer todo tipo de cinema, inclusive o político como esse e tentar inspirar a mudar as coisas.

Sobre a adaptação do livro que Fassbinder já havia adaptado com mais de 10 horas de duração e a nova versão tem 3h…. O diretor fala que levou bastante tempo no roteiro para adaptar esse livro “monstruoso” (gigante) e conseguir adaptar, mesmo que os fãs das palavras de Fassbinder (e todos riem porque o diretor sem querer cometeu um ato falho e queria se referir ao livro) possam estar de fora… Mas tinha que alcançar a essência do romance.

O roteirista complementa que o personagem central tinha uma motivação na época e hoje encontra ecos em outro momento da sociedade… O protagonista se identifica com os outros imigrantes mas ao mesmo tempo sabe que tem anseios próprios e autônomos. Ele tem vida própria e motivação própria…

O diretor fala que também se sente turista em Berlim e um hipster mas quis se desconstruir também…

Sobre a aceitação de humilhação, ele passa por uma “alemanhanização”….e vai passando pelos perigos de sua chegada ali e é assim que descobrimos os herois porque ele sobrevive e isso traça o heroísmo. Quando ele aceita botar uma fantasia de gorila ou de desafiar a polícia….ele sovrevive….E está numa relação tóxica de fascínio e perigo….é o caminho que era possível e evita ter respostas óbvias para esses conflitos internos.

A história é narrada do ponto de vista de Mitzen e ela assiste tudo pelo quadro geral… Ela luta por ele acreditando nele de coração porque enxerga além da situação ela tem essa força sobre ele, do amor.

A atriz complementa que existem mulheres fortes neste filme e isso é importante naquele mundo tão masculino.

E o ator complementa que acrescenta uma criança menina no final para quebrar o círculo.

Sobre minha pergunta sobre referências em relação à decolonização (como frases que parecem citadas de Franz Fanon e Edouard Glissant) o diretor fala que havia sim uma consciência disso e algo além… na própria dramaturgia. Existia um protagonista negro e imigrante e um antagonista branco com privilégios. Eles tinham noção de que precisavam desconstruir isso.

O ator complementa bastante emocionado que queriam criar uma jornada e sentiram uma conexão cósmica e com a essência de Berlim e queriam olhar a figura que querem se tornar.

O ator complementa emocionado que queriam criar uma jornada e sentiram uma conexão cósmica, com a essência disso tudo, e queriam olhar a figura que querem se tornar.

O diretor complementa que sabe que o protagonista substitui o lugar de opressão do antagonista numa questão neocolonialista, e que a partir sim que iriam desconstruir essa relação porque o objetivo também não era jamais que ele se tornasse o outro.