Berlinale: Coletiva de Never Rarely Sometimes Always de Eliza Hittman

Filme compete ao Urso de Ouro no 70° Festival de Berlim

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25 de fevereiro de 2020

Berlinale: Coletiva de “Never Rarely, Sometimes Always” de Eliza Hittman com Sidney Flanigan e Talia Rider. E confiram a crítica do filme clicando Aqui!

Sobre o fardo que as mulheres enfrentam na sociedade….sobre aborto….a diretora fala que fez vários tratamentos do projeto, mas na época de Obama havia um falso otimismo de que as coisas estavam progredindo e ninguém achava o momento de falar sobre aquilo porque a sociedade estaria “melhorando”… Mas na eleição do Trump tudo foi por água baixo e os temas voltaram à urgência e muita gente se interessou pelo projeto. E precisamos falar sobre isso desde sempre porque envolve políticas públicas e precisa de avanço de direitos.

As atrizes falaram sobre isso também. Sidney diz que é uma questão de saúde pública e não adianta apenas falar de prevenção e segurança….pois há muitas questões que não se encerram no antes e necessitam do depois. A atriz Talia responde que filmes podem ajudar a gerar consciência e a movimentar as mudanças sociais….

Sobre a opressão…a diretora quis reproduzir o “male gaze” (como antagonista) através do menos óbvio, de pequenas coisas que passam despercebidas, como tocarem nas personagens no ônibus, como confundirem gentileza no atendimento profissional com abertura para avanço não solicitado. E era necessário atentar a isso e denunciar para gerar consciência…

Há sim muitas denúncias que vêm crescendo em termos de consciência, mas a diretora quis focar nas coisas que são silenciadas e as mulheres se sentem impotentes em denunciar.

Sobre a condenação do caso Weinstein, a diretora disse que ainda não pode formar uma opinião sobre isso como se tivesse mudado o sistema, porque há uma vasta diferença entre 5 anos de condenação e 20 anos… E ele pegou apenas 5 anos, o que parecerá suave para ele perante a dor de suas vítimas.

A atriz Talia foi perguntada sobre o trabalho no vindouro e inédito remake de “Westside Story” dirigido por Spielberg, mas ela não pode falar muito, só que faz parte de uma das famílias rivais e que foi incrível trabalhar com dois diretores incríveis ano passado, não apenas Spielberg como Elisa.

Perguntada sobre as lacunas ou sutilezas da trama, a diretora disse que não quis expor demais as personagens nem focar só na denúncia ou explorá-las e sim focar na reação e força delas… Há narrativas sobre temas que as mulheres entendem muito bem e você não precisa mostrar tudo porque as mulheres é que são as pessoas que mais compreenderão e preencherão aa lacunas.

A atriz Sidney fala que são alguns toques e silêncios que elas aproveitam para atuar em cima dessas lacunas em cena e as mulheres conseguem se identificar.

E a diretora complementa dizendo que não quer reforçar estereótipos e sim desconstruí-los e dar força para as mulheres se sentirem seguras para denunciar.

As atrizes falam sobre trabalhos musicais, Sidney performa com o companheiro que também escreve músicas e as letras tentam se comunicar com a atualidade que continua sob ataques conservadores e a arte tenta desconstruir isso.

Talia diz que fez clipe há um tempinho atrás e que denunciava também o uso de armas e o aumento da violência.

Sidney fala sobre o comportamento dos homens para ela está muito claro no filme. Eles não sabem ouvir um não, ficam insistindo e mandando mensagens e etc… E homens precisam entender seu comportamento abusivo.

Sobre o momento em que estamos vivendo, a diretora diz que já respondeu a esta pergunta, mas reitera que nas eleições do Trump os direitos tiveram um forte retrocesso especialmente para as mulheres e se tornou ainda mais importante o cinema passar essa força em combater isso.

A personagem da Assistente social realmente foi inspirada numa assistente social que deu consultoria para o filme e foi crucial na credibilidade das personagens e ela inclusive é uma das personagens do filme…não podia escolher alguém famoso no lugar de alguém que tinha todo o conhecimento do filme.

Ela buscou referências em Ken Loach, Ladybird, “4 meses, 3 semanas e 2 dias”, assim como se inspira para criar os enquadramentos da fotografia em fotos aleatórias de facebook e redes sociais pois se interessa muito por como as pessoas enquadram suas fotos e selfies, pois isso reproduz um olhar atual de relações com a imagem que muito lhe interessa.

Atualizado: o filme ganhou o Grande Prêmio do Júri na Berlinale 2020. Confira algumas palavras da diretora na coletiva dos premiados:

Confira a crítica do filme aqui:

http://almanaquevirtual.com.br/never-rarely-sometimes-always-na-berlinale-2020/

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