Berlinale: Coletiva de Siberia de Abel Ferrara com Willem Dafoe

Filme foi ovacionado por jornalistas mesmo dentro da coletiva de imprensa

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24 de fevereiro de 2020

Berlinale 2020: Coletiva do filme “Siberia” de Abel Ferrara com Willem Dafoe, Dounia Sichov, Cristina Chiriac, e os produtores presentes Marta Donzelli, Paolo Del Brocco, Diana Phillips, Phillip Kreuzer e Julio Chavezmontes.

O mediador introduz falando que é um filme dark, mas há cenas engraçadas…

“Como a vida”, responde Dafoe.

Perguntado sobre como foi trabalhar com cachorros, Dafoe diz que fez um filme com cachorros antes (“Togo” para a Disney Plus, no Canadá) então estava confortável agora com eles. Huskys são doces e respondem a afetos.

Sobre som e música, trabalharam o som e música com uma linha muito tênue que incluía as respirações, os diálogos, e o sliêncio….e a combinação entre eles. Sobre a música “Runaway” de Del Shannon Abel diz que eles vão performar de madrugada.
E Dafoe disse que foi o primeiro álbum dele. Era Rosa.

Por que não usou a legenda em cenas esquimós, indigenas etc? Porque ele próprio não entende, então por que a plateia deveria entender o que ele não entende? E o título veio do nada…Para americanos Siberia significa isolamento, exílio e magia também.

Sobre o lado dark e a espiritualidade… Dafoe fala que não é atraído ao dark, mas ele entende que as dificuldades é que geram transformação e alcançam algo espiritual. Então o lado dark é que o procura.

Respondendo à minha pergunta sobre o quanto da montagem insólita (que vai da neve para o deserto e vários outros saltos num piscar de olhos, fora do espaço tempo) já estava prevista no roteiro ou se parte veio na mesa da edição: Abel explica que uma espinha dorsal já estava na sua mente: começa na neve….vai pro deserto….volta pra neve…
Não mudou radicalmente na edição nem era seu plano — não é do seu feitio mudar muito na edição, costuma prever no texto. Sua jornada estava traçada desde antes de filmar.

Sobre a escolha de projetos complexos e desafiadores…Dafoe fala que tem memória ruim e não guarda muito as coisas, segue em frente. Então possui a sorte de ter boas amizades com quem gosta . E possui muitoa trabalhos com Abel… E ele é gentil de pensar nele sempre. Então, voltando a pergunta anterior sobre o quanto veio da edição e do roteiro, os projetos vão acontecendo de forma espontânea e acontecem no momento da filmagem. Claro que pode ser mais improvisado (como em “Tommaso”), ou preparado no roteiro como este novo Sibéria. Mas é na cena que a magia acontece. Nela sim pode haver mudanças…

Abel complementa que é isso. Isso é a mágica. E costuma trabalhar em família. Trabalha com a esposa e a filha… E sua montadora em tudo, voltando a falar sobre a pergunta da edição. Então quando mergulham no projeto, todos já estão na mesma sintonia. Não há “mudanças” porque eles participaram de todos os processos e já sabiam como iam entrar. Não é questão de mudar na edição porque a edição participou de perto da criação.

Sobre coprodução mexicana, Chavezmontes fala que houve também de outros países, como a Itália etc, e há gente desses países na equipe também. Então era uma participação ativa. Membros indígenas também e que não puderam estar todos aqui porque era gente do mundo inteiro.

Perguntados se nesta edição mais política do Festival, se Abel achava o próprio filme politico…Abel pediu que outra pessoa da mesa que ainda não tivesse respondido respondesse… Aí pediu à atriz Cristina Chiriac que disse que não achava politico (risos). Dafoe complementou dizendo: claro que é politico. Tudo e político.
Aí Abel diz: “hummmm, respostas mistas….eis sua resposta”.

Cristina fala também sobre o fato de que de fato esteve grávida quando aceitou o projeto, mas que a cena grávida no filme não é ela, pois já havia dado à luz. E aí ela teve uma dublê de corpo que ela sim estava grávida durante as filmagens.