Berlinale: Coletiva de The Woman who ran de Hong Sang-Soo

O filme concorre ao Urso de Ouro no 70° Festival de Berlim

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25 de fevereiro de 2020

Coletiva de Hong Sang-Soo com atrizes Kim Min-Hee e SEO Younghwa.

O diretor começa falando para o mediador que quando começa a filmar ainda não possui a ideia completa da estrutura… Mas após o 3° dia ele já forma um quadro do que almeja. Não queria espremer tanto no cronograma de filmagens como antigamente (ele pede desculpas pela palavra “espremer”)…, e presta mais atenção nos diálogos, se simples diálogos podem levar ao que ele almeja e levaria até ao final.

Ele não começa com nenhuma generalização em termos de personalidade etc
(Neste momento ele pára para desligar o celular que tocou e o mediador brincou que isso era bem uma cena de filmes dele).

Ele retoma que espera as coisas que são dadas em cena e não gosta muito de prever… E ele costuma voltar a trabalhar com artistas que já trabalhou e sabe o que esperar deles, mas não quer dizer isso em termos de generalização porque não gosta disso.

Ele gosta de seguir o fluxo das coisas, não espremer por significados, e sim sentir os instintos. Erradicar ou postergar essa “intenção” de fazer as coisas… Se tiver um diálogo, ok, segue com ele, mas, senão, gosta de esperar…

Sobre falar de amizade e solitude nos filmes, ele não gosta de generalizar, mas pega trechos para montar um quadro. Gosta dos detalhes… E quando deixa fluir e acontecer… E sente quando acontece. Na cena do enquadramento da galinha (neste filme) que virá seguido de um diálogo específico, a galinha é a repredentação da refeição compartilhada e de este pedaço leva a algo e forma algo pode significar coisas diferentes pra cada um.
Ele filma já com edição na cabeça e volta para as cenas filmadas para descobrir às vezes coisas novas.

Min-Hee responde à minha pergunta sobre possível cocriação, com os artistas com quem ele sempre trabalha, falando que tenta se ater ao roteiro pois acha que nasce dele, e dar a sua personalidade e as reações de uns aos outros é que nos mudam na forma, mas o conteúdo sempre costuma se ater ao roteiro.

A atriz SEO Younghwa responde à mesma pergunta: “Estou como plateia também e não só como atriz. E assistir me inspira. O diálogo eu decoro….e isso não significa entender o todo. Foco em fragmentos que me são dados e me surpreendo e reajo aos dos outros e confio no diretor.. E espero as emoções despertarem. Às vezes acontece não apenas lendo o roteiro, mas na cena. E vendo algum take ou a cena dos outros é que algumas catarses se complementam e surgem….

Sobre o gato do filme… Não era necessariamente planejado, mas quando viram o gato ele chamou a equipe e filmou no 1° take. E ficou perfeito. Não foi treinado nem nada.

A atriz SEO Younghwa responde que a interação com o animal é espontânea, claro, mas que volta a falar que se sente também como plateia do próprio filme, então se aquilo a maravilha e deslumbra, ela reagirá à altura.

Sobre as músicas… e a música que volta no final e a personagem a escuta de forma diegética, é o regresso à cena do filme. E o próprio Sang-Soo compôs em seu iphone (e pede desculpa pelo registro da música ppr causa disso — risos). Sang-Soo diz que achou que estava passável….rsrs