BLUE – bonjour tristesse

Renato Vieira cria, em parceria com Bruno Cezario, espetáculo para oito homens a partir do blues e da poesia da polonesa Wislawa Szymborska

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19 de maio de 2017

BLUE bonjour tristesse foto 1 de Bruno Veiga IMG_7173Impactado pela crise geral que domina o país, atordoado pelas mudanças súbitas e difíceis de serem assimiladas, o coreógrafo Renato Vieira resolveu absorver o impacto entrando numa sala de ensaio. Reuniu um novo grupo de bailarinos – somente homens – e começou a experimentar movimentos, ouvindo o blues. Tendo a literatura sempre como um dos pontos de partida de suas criações, Renato Vieira somou a este universo a poesia da polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012), cujo lema foi “Prefiro o ridículo de escrever poemas ao ridículo de não escrevê-los.” A poesia CEM PESSOAS, em off na voz de Sura Berditchevsky, está presente no espetáculo.

Deste encontro entre o som pungente do blues e a poesia de Szymborska nasceu o novo espetáculo, “BLUE – bonjour tristesse”, que chega mostrando a Renato Vieira Cia de Dança numa formação diferente – juntos, e em solos, duos e trios, estão em cena novos bailarinos de diferentes procedências, selecionados por Renato. “Estou experimentando uma formação diferente na companhia” – explica Renato. Novos bailarinos, novas histórias de vida e dança. Além de dividir a coreografia com Bruno Cezario, como o blues dá espaço para o improviso, os bailarinos terão espaço para trabalhar com a improvisação ficando mais comprometidos com o processo de criação. Soraya Bastos, bailarina inaugural da companhia, não está em cena nessa nova criação, mas acompanhou todo o processo como assistente.

O ponto de partida no processo criativo foi o blues, mas ao longo do processo a trilha musical veio se abrindo para variadas intervenções sonoras, incluindo textos, fragmentos verbais e uma forte linha percussiva – tudo criado por Felipe Storino, que compõe pela primeira vez para a companhia. Ele fala de sua inspiração: – O som bate rebate, no corpo se molda, entra, reverbera, distorce, treme, escuta, sente e dança um blues. Duas únicas músicas não compostas por Storino estão presentes no espetáculo, ambas na voz de Nina Simone: Sinner Man e Strange Fruit, esta última uma referência no processo criativo. “Pelo universo que estamos tratando nesse trabalho, não poderia deixar de lado Strange Fruit, que é uma música emblemática de sua época e perfeita para esses dias em que vivemos tanta intolerância racial, sexual, política, religiosa. Não tenho a pretensão de levantar nenhuma bandeira. Mas, como artista, sinto necessidade de colocar em cena o que tem me perturbado tanto”, explica Renato Vieira.

Strange Fruit foi composta como um poema escrito por Abel Meeropol, em 1930. Professor judeu que dava aulas no Bronx, o poema foi a forma que ele encontrou para expressar seu horror diante do linchamento de dois homens negros. A música foi eternizada pela voz de Billie Holiday, que a cantou pela primeira vez em 1939, no Cafe Society. Eleita pela revista Time como a “canção do século”, Strange Fruit ganhou também belíssimas interpretações de Nina Simone, Carmen McRae, Diana Ross, Cassandra Wilson, Cocteau Twins, Antony and the Johnsons, Siouxsie & The Banshees, Wynton Marsalis, entre outras.

O poema de Wislawa Szymborska,  abaixo, está presente no espetáculo, em áudio gravado pela atriz Sura Berditchevsky:

Cem pessoas

Em cada cem pessoas

Aquelas que sempre sabem mais: cinquenta e duas.

Inseguras de cada passo: quase todo o resto.

Prontas a ajudar, desde que não demore muito: quarenta e nove.

Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira: quatro — bem, talvez cinco.

Capazes de admirar sem invejar: dezoito.

Levadas ao erro pela juventude (que passa): sessenta, mais ou menos.

Aquelas com quem é bom não se meter: quarenta e quatro.

Vivem com medo constante de alguma coisa ou alguém: setenta e sete.

Capazes de felicidade: vinte e alguns, no máximo.

Inofensivos sozinhos, selvagens em multidões: mais da metade, por certo.

Cruéis, quando forçados pelas circunstâncias: é melhor não saber nem aproximadamente.

Peritos em prever: não muitos mais que os peritos em adivinhar.

Tiram da vida nada além de coisas: trinta (mas eu gostaria de estar errada).

Dobradas de dor, sem uma lanterna na escuridão: oitenta e três, mais cedo ou mais tarde.

Aqueles que são justos: uns trinta e cinco.

Mas se for difícil de entender: três.

Dignos de simpatia: noventa e nove.

Mortais: cem em cem – um número que não tem variado.

(Wislawa Szymborka)

Ficha Técnica

Direção e concepção Geral: Renato Vieira

Coreografias: Renato Vieira e Bruno Cezario

Bailarinos: Dinis Zanotto, Elton Sacramento, Felipe Padilha, Flávio Arco- Verde, Jeferson Lengruber, Marlon Ailton, Tiago Oliveira, Wallace Guimarães

Trilha sonora original: Felipe Storino

Poesia: Wislawa Szymborka

Voz em off: Sura Berditchevsky

Assistente de ensaio: Soraya Bastos

Iluminação: Binho Schaefer

Figurino: Bruno Cezario

Fotografias: Bruno Veiga

Programação Visual: Cristhianne Vassão

Operação de Luz: Jon Thomaz

Operação de Som: Denise Mendes

Assistente de produção: Tatiana Ribeiro

Produção: Renato Vieira Cia de Dança

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Serviço

Estreia: dia 18 de maio (5ªf), às 19h

Local: Teatro Sesc Ginástico – Av. Graça Aranha, 187, Centro / RJ Tel: (21) 2279-4027

Horários: 5ª a sábado às 19h, domingo às 18h.

Ingressos: R$25,00, R$12,00 (meia) e R$6,00 (associados SESC).

Duração: 60 min.

Classificação etária: 14 anos.

Curtíssima temporada: até 21 de maio.

Circuito SESC

Sesc São Gonçalo, 02 de junho, sexta-feira, 20h

Sesc São João de Meriti, 03 de Junho, sábado, 19h

Sesc Teresópolis, 09 de junho, sexta-feira, 19h30

Sesc Nova Iguaçu, 10 de junho, sábado, 20h