¿Branca de Neve?

Uma das novidades do 7o FENATIFS foi a encenação original de Branca de Neve em linguagem de mímica pela Etc e Tal do Rio de Janeiro

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29 de novembro de 2014

Quantas vezes já assistimos, ou apenas havíamos lido no roteiro de peças infantis, uma nova montagem de Branca de Neve, em um clube perto de sua casa? Podemos arriscar, sem chances de erro, que foram centenas. Centenas de cópias mal-ajambradas da versão Disney – como se fosse ele o autor da obra original. Princesas, príncipes, bruxas e anões caracterizados exatamente com as mesmas indumentárias do filme, vêm povoando, muito mal, diga-se de passagem, a nossa memória cultural no teatro infantil.

Marcio Moura, Melissa Telles-Lobo e Alvaro Assad em cena, no 7o FENATIFS

Marcio Moura, Melissa Telles-Lobo e Alvaro Assad em cena, no 7o FENATIFS

Para varrer esta poeira, A Etc e Tal – que está fazendo 20 anos em 2014 -, especializada em mímica e pantomima, resolveu encenar uma nova montagem de¿Branca de Neve?, com criação e roteiro da Etc e Tal, e direção e preparação mímica de Alvaro Assad. Esta montagem em nada se parece com todas as versões que temos visto por aí. Partindo do conto original dos alemães Irmãos Grimm, a Cia apresentou no 7o FENATIFS, dentro da Mostra Atrações Convidadas, um ótimo exercício de linguagens variadas. Através da mímica, da partitura musical de Joaquim de Paula, do desenho de luz de Aurélio Oliosi,  e da inclusão do teatro de sombras pela Ato Gráfico, foi possível criar uma delicada forma de contação deste clássico da literatura alemã. Apresentando principalmente ao público, alguns detalhes preciosos da história original. Entre elas: a missão do caçador em pegar o coração e o rim, de Branca de Neve passar por mais provas, antes de morder a maçã envenenada – ainda que tenha sido suprimida a segunda prova da escova envenenada -, foram apresentados o laço que quase a sufoca – na primeira prova -, e a maçã envenenada, que na história original não a mata, apenas a sufoca. Cabendo ao Príncipe se apaixonar na verdade por uma bela mulher “morta” em um caixão de vidro, que ao ser levada ao seu castelo em uma carruagem, acaba por desengasgar quando a roda da mesma passa por cima de uma pedra na estrada, e assim ela “volta a viver”.

Para encenar ¿Branca de Neve?, a Etc. e Tal usa com propriedade todos os mecanismos que adotou para desenvolver as suas técnicas em mímica: linguagem onomatopéica, grunhidos, gromelô (linguagem criada nos contos de fadas, “que não se entende nada do que se diz, mas que se entende tudo”), e muita comicidade. Para esta montagem, foi utilizado também -de uma maneira espacialmente tímida -, a linguagem mais tradicional do teatro de sombras. Além do trabalho de qualidade que a cia vêm empregando nestes 20 anos de trajetória (com Alvaro Assad na direção e atuação, e Marcio Moura e Melissa Teles-Lôbo na atuação), foi muito importante tê-la no 7o FENATIFS, pois enriqueceu demais a programação, e principalmente, a discussão sobre novos formatos de encenação dos já tão batidos contos de fadas.


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