Brasil bate ponto na Berlinale

Ficção com Marco Nanini e documentário de Marcelo Gomes participam da mostra Panorama do festival alemão

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18 de dezembro de 2018

"Estou me guardando pra quando o Carnaval chegar", de Marcelo Gomes: a capital pernambucana do jeans

“Estou me guardando pra quando o Carnaval chegar”, de Marcelo Gomes: a capital pernambucana do jeans nas telas da Alemanha

Rodrigo Fonseca
Definida a presidência do júri do Urso de Ouro 2019 (a atriz francesa Juliette Binoche), o tributo do ano (um prêmio honorário para a estrela inglesa Charlotte Rampling) e parte dos concorrentes da competição oficial (com François Ozon e Fatih Akin), a Berlinale 2019 partiu para sua sessão mais politizada e mais bem antenada com discussões de identidade de gênero: a Panorama. E tem Brasil lá. Duas produções nacionais estarão na 69ª edição do Festival de Berlim, agendada de 7 a 17 de fevereiro: o documentário “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”, de Marcelo Gomes, e a ficção “Greta”, de Armando Praça. Após três anos de sua passagem pela seleção oficial com “Joaquim”, Gomes regressa à capital da Alemanha com um retrato do cotidiano da capital do jeans, a cidade de Toritama, dona de um notável parque industrial têxtil, às vésperas da folia. Já o filme de Praça traz Marco Nanini no elenco, como um enfermeiro gay às voltas com uma vizinha trans.

Sob a curadoria de Paz Lázaro, o Panorama berlinense vai receber o filme de estreia na direção do ator duas vezes indicado ao Oscar Jonah Hill (de “Superbad”): “Mid90s”, sobre as agruras familiares de um adolescente americano dos anos 1990, ligado a um grupo de skatistas. Ainda dos EUA, Lav trouxe “Skin”, de Guy Nattiv, com Jamie Bell (o eterno Billy Elliot), sobre um líder neonazista que quer deixar seu passado com a extrema direita para trás. Vai ter ainda um .doc sobre uma das maiores críticas de cinema da História: “What she said: The art of Pauline Kael”, de Rob Garve, com depoimentos de Quentin Tarantino, Paul Scharder e Alec Baldwin. O pacote de atrações traz ainda a aclamada atriz Tilda Swinton contracenando com sua filha, Honor Swinton-Byrne, em “The souvenir”, de Joanna Hogg, sobre uma estudante de cinema que se envolve com um homem mais velho.

O diretor guatemalteco Jayro Bustamante volta à Berlinale com "Los tremblores"

O diretor guatemalteco Jayro Bustamante volta à Berlinale com “Los tremblores”

Vai ter Argentina no Panorama da Berlinale com “Los miembros de la família”, de Mateo Bendesky , sobre os segredos de um par de gêmeos. Já a Colômbia bate ponto no festival com “Monos”, de Alejandro Landes, sobre um grupo paramilitar às voltas com a morte de uma vaca. Da Guatemala chega “Temblores”, do premiado Jayro Bustamante (“Ixcanul”), sobre o tumulto provocado em um vilarejo com a revelação de que o padre da paróquia local é gay.

A Berlinale será inaugurada com a exibição (em concurso) do drama “The kindness of strangers”, da dinamarquesa Lone Scherfig, sobre uma ciranda de paixões em Nova York, num inverno rigoroso. Estima-se que filmes inéditos dos mestres Brian De Palma (“Dominó”) e Terrence Malick (“Radegund”) vão concorrer ao Urso.