Brightburn – Filho das Trevas

Super-Homem das trevas funciona como terror descompromissado, apesar da superficialidade do roteiro

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23 de maio de 2019

Se o Super-Homem fosse do mal, o que ele faria? Produzido por James Gunn (“Guardiões da Gálaxia”), “Brightburn – Filho das Trevas” parte desta premissa para contar uma história do que está sendo vendido erroneamente como horror super-herói, devido ao protagonista ser uma espécie de versão maligna de Clark Kent. Assim como o personagem da DC, Brandon Breyer (Jackson A. Dunn) é um bebê alienígena que aterrissa na Terra e cai no terreno rural de um casal que decide criá-lo como filho. A diferença é que quando começa a descobrir seus poderes 12 anos depois, ele se mostra um ser obscuro ao invés de se tornar um super-herói para a humanidade e aterroriza a pequena cidade onde vive no lugar de protegê-la.

O roteiro de Brian Gunn e Mark Gunn, irmãos do produtor James Gunn, é muito previsível e constrói de forma rasa o personagem Brandon, que se torna um serial killer psicopata da noite para o dia quando o objeto espacial que o trouxe o desperta para sua suposta missão de dominar a Terra. Não há dilemas morais, hesitações ou motivações por parte do menino, o que permite aos roteiristas e ao diretor David Yarovesky fazerem o que quiserem com o personagem ao longo de um filme cheio de jump scares, utilizados para assustar o espectador enquanto mostra os poderes sobrenaturais de Brandon. Tori (Elizabeth Banks) e Kyle (David Denman) como pais são o clássico clichê que não querem acreditar que o filhinho está por trás de tanta desgraça, até que não há mais como negar.

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Com algumas cenas mais explicitas que dão muito nervoso, não dá para negar que “Brightburn” (no original) trabalha bem a tensão, porém tudo é jogado na tela sem explicação e o passado do garoto, importantíssimo para a construção do personagem, é simplesmente ignorado. Mesmo antes da transição para a maldade, o bullying que sofre no colégio por ter inteligência acima da média e a paixonite por uma menina da turma não acrescentam quase nada à trama. Brandon, que desenvolve uma assinatura deixada nas cenas de seus crimes, não tem a complexidade de um herói nem de um vilão, é uma mistura de Super-Homem das trevas com Damien de “A Profecia”. Em seu primeiro grande papel, Jackson A. Dunn encarna o papel de alienígena psicopata com muita competência – seu olhar vazio, ausente de culpa ou remorso, é assustador. “Brightburn – Filho das Trevas” poderia ser muito mais interessante se não tivesse escolhido permanecer no óbvio com um enredo superficial, mas funciona como filme de terror descompromissado.

 

Brightburn – Filho das Trevas (Brightburn)

EUA – 2019. 91 minutos.

Direção: David Yarovesky

Com: Jackson A. Dunn, Elizabeth Banks e David Denman.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3