Bruxarias

Animação traz discussão importante, mas não sabe como desenvolvê-la para seu público

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23 de junho de 2017

A animação espanhola “Bruxarias” conta a história de Malva, uma menina de 10 anos que vive com sua avó em um motorhome, numa vila onde há muitas curandeiras que vendem seus produtos medicinais, cujo sucesso desperta a ganância de Rufa, a malvada dona de uma fábrica de cosméticos. Como as fórmulas destes produtos são segredos ancestrais guardados por sua família, a vovó faz de tudo para protegê-los, acaba sequestrada por Rufa e Malva sai em missão de resgate com o amigo Celu e o furão de estimação Lalila.

Com roteiro e direção de Virginia Curiá, o longa-metragem de animação apresenta diversos problemas, a começar pelo gráfico péssimo com efeitos precários e a dublagem horrível e forçada. O ritmo arrastado e a necessidade de explicar o óbvio, já mostrado em imagens, vão sendo cada vez mais cansativos para o público. Ao mesmo tempo, alguns elementos parecem simplesmente jogados e deixam a trama confusa. O trio de caramujos falantes da vovó, que surgem a todo instante repetindo e complementando falas, não tem razão alguma para estar ali e é extremamente irritante, transformando os 78 minutos de filme em uma verdadeira tortura para os adultos e para crianças mais velhas. “Brujerías” (no original) é tão bobinho e ingênuo que só é capaz de agradar a crianças bem pequenas, de no máximo cinco anos.

Curiá falha também na escolha do título da animação, já que imagina-se que haverá bruxas na história, mas a todo momento as personagens Malva e vovó corrigem quem as chama assim, explicando que são curandeiras, e não bruxas. A inserção de itens tecnológicos soa um tanto forçada, como se fossem obrigatórios para os produtores colocá-los no dia a dia das personagens, mesmo sem que precisem. O maniqueísmo é outro fato que incomoda: os vilões são só malvados e os mocinhos são muito bonzinhos, não são pessoas reais. Além disso, há certas piadinhas sem graça que não deveriam ter sido incluídas no roteiro.

Por outro lado, “Bruxarias” traz boas lições para os pequenos, ainda que sejam complexas demais para que compreendem totalmente – o uso responsável da tecnologia em harmonia com a natureza é a principal mensagem passada pelo longa de Curiá. A importância da união também é ressaltada, além da questão de que sempre há o que se aprender com pessoas mais velhas, assim como os mais velhos podem aprender algo com os mais jovens. Apesar destes pontos positivos, os defeitos de “Bruxarias” são tão numerosos que estragam o filme. A ideia de Curiá foi boa, pois é importante discutir a questão do avanço tecnológico em detrimento da destruição da natureza desde cedo, porém foi muito mal construída e aproveitada. Depois de assistir, fica difícil compreender como o filme foi vencedor do Júri Popular na Mostra Geração do Festival do Rio 2016.

Bruxarias (Brujerías)

Espanha – 2015. 118 minutos.

Direção: Virginia Curiá


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