Caixa de Ferramentas

Boa ideia sobre a diferença esbarra em uma encenação esquemática e bastante professoral

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01 de março de 2016

A premissa de “Caixa de Ferramentas” com texto e direção de Simone Kalil, em cartaz no Teatro do CCJF, no Rio de Janeiro, até o dia 20 de março, é interessante. Partindo da ideia de que dentro de uma caixa de ferramentas, a chave inglesa, o martelo, o alicate e a lixa precisam aprender a respeitar as diferenças entre si, até serem postas a prova, quando algo de inesperado acontece e as ferramentas se veem obrigadas a trabalhar juntas pelo bem comum, elas aprendem a respeitar o próximo, suas limitações e características: a lixa muito áspera com todos, a chave inglesa por falar outro idioma mostra-se um pouco esnobe, o parafuso fica dando voltas, e o martelo quer martelar todo mundo.

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O destaque da peça é a regular direção musical de Renato Frazão

A direção de Kalil tem uma intenção bastante clara em ser um espetáculo didático, explicativo, quase professoral. Que seria mais adequado ser apresentado em um ambiente escolar. Para auxiliar na busca pedagógica que o mesmo se propõe. Ao mesmo tempo em que este tipo de teatro acaba por carregar questões já muito discutidas e debatidas no âmbito do teatro para a infância e juventude. A excessiva frontalidade, criando uma comunicação com características tatibitate, com expressões físicas demonstrativas e por vezes caricaturais. Em um desenho muito simples de cena, que tem como marca principal para tudo, o formato de vir à frente, falar o texto e retornar ao seu lugar de origem. A cenografia de Caká Oliveria, também muito simples cria uma caixa de ferramentas estilizada com módulos de madeiras, tendo eles uma função apenas decorativa e muito óbvia de apenas abrir e fechar, por mecanismos de rodinhas. Quando as treliças/frestas destes módulos poderiam ampliar a riqueza da encenação, elas passam despercebidas como concepção do espetáculo. Os figurinos, também de Caká Oliveira, são interessantes como um rascunho de ideias pretensamente social – que jamais se realizam -, pois falta acabamento e clareza destas mesmas ideias. Como por exemplo a bem-vinda saia de lixas, com uma execução, e acabamento, muito ruins, na forma, no caimento, na estética;  assim como a roupa da menina, que é composta com as cores branca, rosa e vermelha, e ela usa um super short preto por baixo (destoando complemente da base proposta).

Caixa de Ferramentas

Os atores Ester Freitas, Flora Borges, João Vitor Novaes, Marcelo De Paula e Paula Sholl, em cena, no Teatro do CCJF

O mais interessante da peça “Caixa de Ferramentas” é a parte musical, com uma trilha divertida e com arranjos regulares de Renato Frazão. A atuação do elenco, formado por Ester Freitas, Flora Borges, João Vitor Novaes, Marcelo De Paula e Paula Sholl, é também irregular, onde todos os atores realizam com dinamismo a direção equivocada, como citado acima, que explora assim cumplicidades, palmas, e forçada interação com a plateia. Como se todos estivessem em um projeto fechado para escolas, e executando assim uma atuação que puxa para o infantilóide, e com algumas desafinações nas músicas. O destaque da peça é a figura bonita da atriz Paula Sholl, que interpreta a menina. Como uma aula sobre o uso de ferramentas, e suas características, a peça poderia com alguns ajustes servir a um público escolar.

FICHA TÉCNICA

Texto e direção: Simone Kalil

Direção musical, trilha original e arranjos: Renato Frazão

Elenco: Ester Freitas, Flora Borges, João Vitor Novaes, Marcelo De Paula e Paula Sholl.

Cenário e figurinos: Caká Oliveira

Ilustração: Dolores Marques

Identidade Visual: Davi Palmeira

Design gráfico: Leandro Carvalho

Orientação de canto: Flora Borges

Caracterização e Visagismo: Paula Sholl

Iluminação: Lívia Ataíde

Supervisão de movimento: Jefferson Almeida

Marceneiro: José Antônio

Desenho de som: Foguete Sonorização

Assessoria de Comunicação: Minas de Ideias

Fotos: Victor Noronha

Elaboração de projeto: Jenny Mezencio

Direção de produção: Sandro Rabello e Neila de Lucena

Realização: Diga Sim! Produções e Mabruk Produções

 

SERVIÇO:

Local: Centro Cultural da Justiça Federal – CCJF

Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro – em frente metrô Cinelândia – Tel: (21) 3261-2550

Estreia: 16 de janeiro de 2016

Temporada: De 16 de janeiro a 20 de março de 2016

Horários: Sábados e domingos, 16h (Não haverá sessões dias 06, 07, 13 e 14 de fevereiro)

Ingressos: R$30,00 (inteira)

Classificação: Livre – Indicado para crianças a partir de 4 anos

Duração: 50 min.

 

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 2