A Camareira

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13 de outubro de 2014

Baseado no best-seller homônimo de Markus Orths, “A Camareira”, dirigido e roteirizado por Ingo Haeb, conta a história de Lynn Zapatek, uma mulher solitária, tímida e sem graça que trabalha como camareira num hotel de alto padrão. Extremamente organizada, metódica e curiosa, ela passa seus dias limpando e arrumando os quartos do hotel enquanto bisbilhota os pertences dos hóspedes e se esconde embaixo de suas camas durante a noite para descobrir as particularidades de cada um. Tudo muda num dia em que Lynn, escondida no quarto de um hóspede, tem contato com a dominatrix Chiara (Lena Lauzemis) em serviço.

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Com um modo bem peculiar de olhar a vida, expressado através de duas frases bastante significativas durante a película, Lynn, que já esteve internada numa clínica psiquiátrica, tem um relacionamento distante com a mãe e como maior passatempo assistir a filmes franceses antigos em seu laptop. Sua vida amorosa (se é que assim pode ser chamada) e sexual se resume a transas insípidas com o seu chefe, gerente do hotel (Steffen Muenster) – rápidas, mecânicas e sem nenhum sentimento de sua parte.  Somente quando Chiara passa a fazer parte de sua vida é que Lynn desperta para a sexualidade e descobre o prazer, iniciando uma fase de mudanças em sua vida, começando pelo modo como arruma o cabelo. O contraste entre as duas mulheres é evidente: Chiara é a androgenia, o cabelo loiro platinado com corte moderno, a maquiagem pesada e as roupas de couro, e Lynn é a falta de estilo, o cabelo mal arrumado preso com presilhas de criança, a inexpressividade e o recato. À medida que Lynn paga pelo tempo de Chiara, mais ambas se envolvem de uma maneira que está sempre no limiar entre a amizade e a relação afetiva. E não dizem que os opostos se atraem?

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Em “Das Zimmermädchen Lynn” (no original), seu terceiro longa, Haeb passeia pelos caminhos da sexualidade humana e de seus desejos ocultos num filme que poderia muito bem ser francês, ao gosto de sua protagonista. Tudo aqui é impecável, a começar pelo trabalho de Lynn e de sua intérprete Vicky Krieps, que ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Munique 2014, onde o filme estreou. O design de produção primoroso, assinado por Petra Klimek, também é um dos destaques por todos os cenários (principalmente o hotel, onde a “magia” acontece) e pelo contraste das cores quentes presentes no hotel e em Chiara com as cores sem vida impregnadas em Lynn. Divertido e envolvente, “A Camareira” vai te prender do início ao fim e, claro, aguçar a sua curiosidade.

Festival do Rio 2014 – Mostra Expectativa

A Camareira (Das Zimmermädchen Lynn)

Alemanha – 2014. 90 minutos.

Direção: Ingo Haeb

Com: Vicky Kriep, Lena Lauzem, Steffen Münster, Christian Aumer e Christine Schorn.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 5