Cannes desembainha suas espadas para guerrear pela reverência do cinema

Inéditos de Woody Allen, Gus Van Sant, Jia Zhang-Ke e Nanni Moretti prometem elevar a temperatura do festival francês, que não deu bola para o Brasil na seleção de concorrentes à Palma de Ouro

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16 de abril de 2015

THE SEA OF TREES

Criações inéditas de Gus Van Sant, Todd Haynes e Nanni Moretti prometem renovar o status de excelência estética do Festival de Cannes, que anunciou na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, os indicados à Palma de Ouro de sua 68ª edição, agendada entre os dias 13 e 24 de maio na França.  Após ser dada a largada, com “La Tête Haute”, de Emmanuelle Bercot, desfilarão aos olhos do júri presidido pelos irmãos Joel e Ethan Coen 17 longas-metragens em concurso, número que pode aumentar para 20 nas próximas três semanas, quando serão anunciadas as escalações retardatárias. O Brasil ficou de fora, apesar das apostas feitas em torno de “O amigo hindu”, de Hector Babenco, e de “Ê, Boi!”, de Gabriel Mascaro, que ainda é visto como uma potencial atração na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela à Palma. Mas a ausência brasileira apenas mostra que a América Latina como todo foi esnobada. Van Sant vai a campo na Croisette com o drama sobre um suicida (Matthew McConaughey) em busca de redenção chamado “The sea of trees” (na foto). Sumido da telona desde “Não estou lá” (2007), Haynes, realizador de cults como “Velvet goldmine” (1998) e “Longe do Paraíso” (2002), regressa com o ansiado “Carol”, uma adaptação do hemisfério mais homoafetivo da literatura de Patricia Highsmith, com Cate Blanchett e Rooney Mara em meio a um idílio sexual. Moretti vem com “Mia madre”, que traz o nova-iorquino John Turturro no elenco.

Para a Itália, a lista de competidores à Palma foi uma festa: concorrerão Nanni Moretti com “Mia madre”; Matteo Garrone com “Il racconto dei racconti”; e Paolo Sorrentino com o aguardadíssimo “Youth” (ou “La giovinezza”), encarado desde já como um possível candidato ao Oscar de 2016, à força do prestígio do diretor de “A grande beleza” e do carisma de seu protagonista, o inglês Michael Caine (na foto).

Cannes 2015 Paolo Sorrentino Youth

A Ásia também entrou a granel no certame, com filmes zero km do japonês Hirokazu Kore-Eda (“Umimachi diary – Our little sister”), do chinês Jia Zhang-Ke (“Mountains may depart”) e do sino-taiwanês  Hou Hsiao Hsien (“A assassina”). Da França, virão longas como “Marguerite et Julien”, de Valérie Donzelli, “Mon Roi”, de Maiwenn, e “Dheepan”, do campeão de bilheteria Jacques Audiard (“O profeta”). Um dos título cercado de maior expectativa tem DNA australiano e alma shakespeariana: uma versão de “Macbeth”, dirigida por Justin Kurzel, com Marion Cottilard e Michael Fassbender, regada a sangue. “Sicario” também é uma produção muito esperada, por conta do sucesso que seu diretor, o canadense Denis Villeneuve, tem feito na seara audiovisual desde “Incêndios” (2010).

Cannes 2015 Marion Cotillard Michael Fassbender Macbeth

 

No pátio dos filmes hors-concours, o nome mais festejado durante o anúncio do cardápio cannoise de 2015 foi o de “Irrational man”, a nova comédia de Woody Allen, de novo com Emma Stone (sua estrela em “Magia ao luar”) e agora com o todo-poderoso muso dos indies, Joaquin Phoenix. Nos longas fora de concurso, há altas apostas da indústria nas animações “Divertida Mente”e “O Pequeno Príncipe”. Nas Sessões Especiais, a atriz Natalie Portman se arrisca na direção com “A tale of Love and darkness”.

Cannes 2015 Irrational Man Woody Allen aqq

A lista de Cannes:

 

Abertura

 

La Tête Haute, de Emmanuelle Bercot

 

 

Competição

the-assassin--5 Nie Yinniang (The Assassin), de Hou Hsiao Hsien

Nie Yinniang (The Assassin), de Hou Hsiao Hsien (na foto)

Sicario, de Denis Villeneuve

The Sea of Trees, de Gus Van Sant

Louder than Bombs, de Joachim Trier

Youth, de Paolo Sorrentino

Saul Fia (Son of Saul), de László Nemes

Mia Madre, de Nanni Moretti

Mon Roi, de Maiwenn

The Lobster, de Yorgos Lanthimos

Macbeth, de Justin Kurzel

Umimachi Diary (Our Little Sister), de Hirokazu Kore

Shan He Gu Ren (Mountains May Depart), de Jia Zhang-Ke

Carol, de Todd Haynes

Il Racconto dei Racconti (The Tale of Tales), de Matteo Garrone

Marguerite et Julien (Marguerite and Julien), de Valérie Donzelli

La Loi du Marche (A Simple Man), de Stéphane Brize

Dheepan, de Jacques Audiard

 

 

Um Certo Olhar

 

Madonna, de Shin Suwon

Maryland, de Anna Winocour

The Fourth Direction, de Gurvinder Singh

Masaan (Fly Away Solo), de Neeraj Ghaywan

Hruter (Rams), de Grimur Hakonarson

Kishibe No Tabi (Journey to the Shore), de Kurosawa Kiyoshi

Je Suis Un Soldat (I Am a Soldier), de Laurent Larivere

Zvizdan (The High Sun), de Dalibor Matanic

The Other Side, de Roberto Minervini

One Floor Below, de Radu Muntean

Shameless, de Oh Seung-Uk

The Chosen Ones, de David Pablos

Nahid, de Ida Panahandeh

The Treasure, de Corneliu Porumboiu

 

 

Fora de Competição

Mad Max

Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller (na foto)

Irrational Man, de Woody Allen

Divertida Mente, de Pete Docter e Ronaldo del Carmen

Le Petit Prince (The Little Prince), de Mark Osborne

 

 

Sessões Especiais

 

Oka, de Souleymane Cisse

Sipur Al Ahava Ve Choshech (A Tale of Love and Darkness), de Natalie Portman

Hayored Lema’ala, de Elad Keidan

Amnesia, de Barbet Schroeder

Panama, de Pavel Vuckovic

Asphalte, de Samuel Benchetrit

 

Sessões da Meia-Noite

 

O Piseu (Office), de Hong Won-Chan

Amy, de Asif Kapadia