Carga explosiva: o legado

Novo filme da franquia mantém o nível dos anteriores

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11 de setembro de 2015

Criada e roteirizada por Luc Besson e Robert Mark Kamen, a franquia “Carga explosiva” deu origem a três interessantes filmes de ação e se consolidou como uma das mais competentes do gênero. Não é surpresa que o sucesso tenha gerado um novo filhote, “Carga explosiva: o legado” (2015), com a direção confiada a Camille Delamare, que debutou em “13º distrito” (2014), remake do francês “B13 – 13º Distrito” (2004), cujo roteiro também era assinado por Besson.

Neste novo filme, Ed Skrein, do fenômeno televisivo “Game of thrones”, assume o lugar de Jason Statham como protagonista e interpreta Frank Martin, ex-combatente que utiliza suas habilidades ao volante em serviços arriscados e clandestinos. Ele é contratado para uma dessas missões por Anna (Loan Chabanol), femme-fatale que, ao lado de três parceiras, pretende se vingar do cafetão Arkady Karasov (Radivoje Bukivic), líder de uma rede internacional de prostituição, e de seus comparsas. Quando seu pai, Frank Senior (Ray Stevenson), é envolvido no plano, Frank se vê obrigado a envolver-se com a situação mais do que o planejado.

Carga Explosiva: O Legado

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De um modo geral, “The transporter refueled” (no original) se assemelha muito aos filmes anteriores da franquia, inclusive quanto à qualidade. É um filme de ação ágil, eficiente em seu propósito e, acima de tudo, inteligente, marca registrada das produções assinadas por Luc Besson. Por outro lado, Delamare não repete aqui os equívocos cometidos em seu longa anterior, eliminando tramas paralelas que nada têm a acrescentar ao desfecho da história para focar exclusivamente no plot da narrativa.

Carga Explosiva: O Legado

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Embora invista em vários clichês, como é de se esperar em produções do gênero, “Carga explosiva: o legado” está acima da média de seus concorrentes, equilibrando com competência cenas de ação muito bem construídas (mérito da montagem ágil, que mantém clara a geografia das cenas de ação, permitindo a compreensão dos acontecimentos), os corriqueiros abusos da suspensão de descrença e o alívio cômico, presente na figura fanfarrona de Frank Senior. Além disso (e, nesse ponto, afastando-se da mesmice), o filme apresenta personagens femininas fortes e que vão além de simples objetos para satisfazer o público eminentemente masculino a que se destina. Ao contrário do que normalmente ocorre, o estereótipo da donzela indefesa à espera de um herói, dá lugar a mulheres inteligentes que impulsionam a narrativa e manipulam todos os personagens masculinos, inclusive o protagonista, um simples peão no jogo de xadrez arquitetado por Anna e suas aliadas.

O ponto fraco da obra é justamente o protagonista. Verdadeiro picolé de chuchu, Ed Skrein não tem um terço do carisma de Jason Statham nem aparenta a badass attitude que o personagem deveria transmitir. Essa deficiência, contudo, se perde diante das qualidades que fazem deste novo episódio de “Carga explosiva” um bom filme.

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Carga explosiva: o legado (The transporter refueled)

França, China (97 minutos)

Direção: Camille Delamare

Elenco: Ed Skrein, Ray Stevenson, Loan Chabanol, Radivoje Bukivic.


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