Carol

De volta ao cinema, Todd Haynes retrata o amor de duas mulheres nos anos 1950

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14 de janeiro de 2016

Baseado no romance “The price of salt”, da americana Patricia Highsmith, “Carol” marca o retorno de Todd Haynes ao cinema depois de 7 anos dedicados à TV. A trama se passada na década de 1950 e gira em torno de Carol Aird (Cate Blanchett), uma mulher requintada e de confortável padrão de vida que está se divorciando do marido, Harge (Kyle Chandler). Concomitantemente, ela conhece a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) e ambas se apaixonam, dando início a um relacionamento que lhes causará problemas.

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A temática homossexual é marcante na carreira de Haynes, que já a abordou em filmes como “Velvet Goldmine” (1998) e “Longe do paraíso” (2002), do qual este novo filme se aproxima. Se no longa anterior o diretor nos apresentava o caso de uma mulher que descobria a homossexualidade do marido, neste, os papeis encontram-se invertidos. Como de costume, o cuidado do cineasta com a construção da narrativa é impecável. Do fabuloso trabalho de reconstituição de época à delicadeza com que o relacionamento de Carol e Therese é desenvolvido, tudo em “Carol” evidencia a sensibilidade de Haynes no enfrentamento das questões existenciais mais íntimas. Evitando o discurso panfletário e o melodrama, o filme aborda com naturalidade o amor entre duas pessoas do mesmo sexo sem deixar de revelar o preconceito que vigorava à época (e, infelizmente, até hoje), presente na figura obsessiva e possessiva de Harge Aird e no noivo de Therese, cujo discurso incorpora a noção de que a homossexualidade não seria algo normal.

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O filme estabelece, também, um interessante “conflito” entre as personalidades do casal. Enquanto Carol é uma mulher moderna e segura de si, Therese apresenta uma série de inseguranças, as quais são gradativamente superadas através do convívio com a companheira. Esse conflito é didaticamente exposto através do uso de cores, que contrasta o vermelho da protagonista aos tons pastéis de Therese, os quais cedem espaço a cores mais vivas com o desenrolar da trama, à medida que a cumplicidade das duas, retratada por meio de closes e planos detalhe, se aprofunda.

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Contudo, a deslumbrante direção de arte e as elegantes opções estéticas de Haynes não impedem que a trama de “Carol” se revele, afinal, enfadonha e pouco inspirada. A narrativa não engrena e perde ritmo em uma sucessão de situações previsíveis e, consequentemente, anticlimáticas. Além disso, apesar do relevante estofo social de que se reveste, em certo momento a obra adota um incômodo tom de comédia romântica que, se não é necessariamente ruim, por outro lado pouco acrescenta ao filme e quase minimiza seu discurso, necessário e atual.


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