Cauby – Começaria Tudo Outra Vez

Documentário apresenta a trajetória de um dos maiores artistas do Brasil

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27 de maio de 2015

Quando se pensa em Cauby Peixoto, as primeiras coisas que vêm à cabeça são a voz potente e marcante e o visual extravagante, inspirado no músico ítalo-americano Liberace. Porém, Cauby não se resume apenas a tais características, e é isso o que “Cauby – Começaria Tudo Outra Vez” procura mostrar. Com roteiro e direção de Nelson Hoineff, o documentário percorre toda a trajetória do cantor e conta com depoimentos que confirmam o seu indiscutível talento.

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No auge dos seus 84 anos, Cauby Peixoto prova que não há idade para se reinventar e começar de novo – e daí advém o subtítulo do longa. Como citado em dado momento da projeção, Cauby é uma figura de contradições, que vai do brega ao chique, do popular ao sofisticado, do masculino ao feminino. Um talento único que se eternizou na melodia de “Conceição”, mas que canta Frank Sinatra com a mesma emoção e enorme esplendor. Mais do que interpretar canções, Cauby imprime a sua personalidade em todas elas, e Hoineff proporciona ao espectador a oportunidade de assistir às diversas facetas deste artista em imagens de um acervo rico que comtempla o início até a fase atual de sua carreira, passando pelo seu sucesso na Rádio Nacional e nos programas de televisão, e pelo curto período em que tentou carreira internacional nos Estados Unidos, atuando, inclusive, em um filme intitulado “Jamboree” em 1957.

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Se o ponto forte de “Cauby – Começaria Tudo Outra Vez” se encontra no depoimento do próprio e na exibição de suas memoráveis performances, a sua debilidade é a duração de algumas delas, que tomam espaço de depoimentos de grandes nomes da música brasileira (Maria Bethânia, Agnaldo Rayol, entrou outros) que, incompletos, pareciam ter muito potencial para serem melhor desenvolvidos. A exploração da vida profissional do cantor sobressai à vida pessoal durante toda a projeção, tocando rapidamente na questão da sexualidade de Cauby.

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Por outro lado, a inserção da história de um fã de 15 anos, que herdou do avô a paixão pelo repertório de Cauby e coleciona seus discos, confere mais emoção ao documentário e faz um interessante contraste com imagens de grupos de fãs da terceira idade, indicando que a música de Cauby, como a do “rei” Roberto Carlos, é eterna e atravessa gerações. Hoineff consegue despertar a atenção e a curiosidade dos mais jovens que só conheciam Cauby Peixoto pelo nome e encantar os dedicados fãs do cantor. Assim, “Cauby – Começaria Tudo Outra Vez” é uma bela homenagem a Cauby e à sua longa carreira que, sabe-se, não acaba por aqui.

 

Cauby – Começaria Tudo Outra Vez

Brasil – 2013. 90 minutos.

Direção: Nelson Hoineff

Com: Cauby Peixoto, Agnaldo Rayol, Maria Bethânia, Agnaldo Timóteo e Emílio Santiago.


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