Cavalo

Dança e espiritualidade nas raízes do grande território brasileiro

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14 de outubro de 2020

Presente na programação atual do 9º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba, vale destaque para o belíssimo “Cavalo” de Rafhael Barbosa e Werner Salles, primeiro longa-metragem alagoano feito com incentivos públicos de edital regional. Uma obra sensível e poderosa sobre o mito criador em nossa cultura afro-brasileira e a influência dos orixás em todas as nossas artes, como a poesia e a dança.

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No filme, vários artistas regionais prestam depoimentos e performam números de extrema beleza e empoderamento, como através dos elementos naturais da água, da terra e da lama, do vento e o calor e fogo da fisicalidade do corpo humano, que possui o potencial de evocar entidades divinas na materialidade terrena. E este é um dos vários significados da palavra que dá título ao filme, “Cavalo”, que é a capacidade de canalizar, por exemplo, um Exú na carne mundana para pedir licença e abrir caminhos.

Podemos lembrar de reminiscências do ritmo musicado da montagem como de “Um Filme de Dança” de Carmen Luz (2013) e “Esse Amor que nos Consome” de Allan Ribeiro (2012), e referências a outras obras que conseguiram conceber a relação com os orixás no audiovisual como “Egungun” de Carlos Brajsblat (1982) e “Exu Mangueira” de Jom Tob Azulay (1974). – Confira tais filmes no curso online Ebó Ejé: Religiões afrodescendentes no cinema brasileiro com Ewerton Belico aqui.