Cenas de um Casamento

Montagem baseada em texto sueco apresenta vários descompassos em sua execução final

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25 de novembro de 2015

“Cenas de um Casamento”, que esteve em cartaz no Teatro Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, é baseado na novela de Ingmar Bergman – traduzida por Maria Adelaide Amaral -, e tem a direção de Bruce Gomlevsky. No filme, em longa metragem de 1974 – a série é de 1973 -, são mantidos os nomes dos capítulos da série de TV, dividindo-se em segmentos. Alguns episódios ocorrem meses, ou anos, depois dos anteriores. Há 10 anos que Johan (Erland Josephson) e Marianne (Liv Ullmann) são casados. Ambos aparentam ser bem-sucedidos, sendo ele professor e ela advogada na área de direito familiar, e seguem-se daí os episódios divididos em “Inocência e Pânico”, “A Arte de empurrar problemas para debaixo do tapete”, “Paula”, “O Vale das Lágrimas”, “Os analfabetos” e “No meio da noite numa casa escura em algum lugar”. Na montagem carioca, o texto mantêm o retrato das dores e delícias da trajetória de vida do casal Johan e Marianne. Dez anos casados, a crise, a banalidade e os abismos do ambiente doméstico. Uma radiografia das relações amorosas: o casamento ideal, a separação e o reencontro, quando eles, já casados com outras pessoas, finalmente entendem o que é o amor. Temas como amor, idealização, separação, reencontro, ressentimento e redescoberta são assuntos expostos no texto. Dito isto, infelizmente, o espetáculo, apesar de contar com a direção segura de Gomlevsky, – um dos artistas mais competentes da atualidade no teatro carioca -, apresenta vários descompassos em sua execução final.

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Juliana Martins, além de idealizadora e produtora, vive Marianne, enquanto Heitor Martinez vive Johan

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Juliana Martins (Marianne) e Heitor Martinez (Johan) mostram-se bastantes inseguros e reticentes, em cena. Foto Thiago Ristow.

A começar, a composição cênica não dialoga muito bem com todos os seus elementos técnicos, dispersando a pungência do belo argumento de Bergman – a boa fluência da tradução de Maria Adelaide Amaral -, e o esvaziando de conteúdo e força dramática. A cenografia, bastante híbrida de Pati Faedo, colabora em dispersar a comunicação, com o jogo de montar e desmontar espaços, a todo o instante. Como se fosse preciso criar ações, e mais ações, para que fosse necessário prender a atenção da plateia com movimentações cênicas e efeitos plásticos. O principal deles a iluminação absolutamente exagerada e excessiva de Elisa Tandeta, que a faz muito maior do que as histórias, e a atmosfera sueca pedem. As angulações dos refletores são muito cruzadas, e desenhadas aleatoriamente à densidade da cena bergmaniana. Buscando uma concepção equivocada de arquitetura de luz, em uma cena repleta de cenário e adereços, em um lugar fixo real, já existente. Sem falar das angulações das contra-luzes, que são ligados a 100%, com diversos refletores, e afinados nos olhos da plateia das primeiras filas. Ao sentar na primeira fila, eu fiquei com a visão totalmente encoberta pela rajada forte de luz em meus olhos. Um grande incômodo para espectadores mais leigos. Sem deixar de dizer do uso extremamente excessivo de fumaça, para marcar o exagerado desenho de luz. Tendo um outro detalhe bastante desagradável: o barulho do acionamento da fumaça. Ele é muito deslocado. Os figurinos, de Ticiana Passos, seguindo um tom mais escuro e cinza, são adequados à atmosfera da encenação do espetáculo. O elenco, formado por Juliana Martins (Marianne) e Heitor Martinez (Johan) mostrou-se bastante inseguro e reticente, parecendo dar o texto em tom mais automático, sem muita verve, e pouca autoridade. Eles pareciam estar seguindo um jogo rígido de encenação, sem estar muito a vontade para tal.

Ficha Técnica

Autor: Ingmar Bergman

Tradução: Maria Adelaide Amaral

Direção: Bruce Gomlevsky

Elenco: Juliana Martins e Heitor Martinez

Trilha Original: Alex Fonseca

Iluminação: Elisa Tandeta

Cenografia: Pati Faedo

Figurino: Ticiana Passos

Assistente de direção: Luiza Maldonado

Projeto gráfico: Thiago Ristow

Agente literário: Cinthya Graber

Prestação de contas: Letícia Napole

Produção executiva: Ana Casalli

Direção de produção: Fábio Amaral

Produtores associados: Anna Magdalena, Fábio Amaral, Fabricio Chianello e Juliana Martins

Idealização: Juliana Martins

Realização: Bubu Produções Artísticas e Ymbu Entretenimento

Assessoria de imprensa: Minas de Ideias

 

SERVIÇO

Estreiou: 16 de outubro de 2015

Temporada: De 16 de outubro a 15 de novembro

Datas: Sextas, sábados e domingos

Horário: Sextas, sábados e domingos, 20h

Preço: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (Meia entrada)

Local: Teatro Ipanema

Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema – Telefone: (21) 2523- 9794

Capacidade: 222 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação: 14 anos

Gênero: Drama

 

 


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