Chappie

Neill Blomkamp retorna a Johanesburgo para contar a história do robô Chappie

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16 de abril de 2015

Em 2009 o sul-africano Neill Blomkamp sacudiu a ficção científica com seu primeiro longa, o impactante Distrito 9. Ambientando em Johanesburgo, o filme narrava a história de alienígenas forçados a viver em favelas e a evitar qualquer tipo de contato com humanos. A obra surpreendeu ao aliar com rara felicidade a crítica social contundente do cineasta ao apartheid, regime de segregação racial que dominou o país durante anos, a uma trama de ação empolgante e bem desenvolvida, que resultou em uma indicação ao Oscar de melhor filme.

Chappie

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Depois de uma derrapada com o problemático “Elysium” (2013), Blomkamp retorna às origens com “Chappie”, cujo roteiro é desenvolvido em parceria com Terri Tatchell a partir do curta “Tetra Vaal”, lançado pelo diretor em 2004. De volta à África do Sul, o filme apresenta um país em que o policiamento é feito integralmente por máquinas previamente programadas. Proibido de aprimorar o sistema pela empresa em que trabalha, o cientista Deon Wilson (Dev Patel) decide implantar em um dos robôs uma inteligência artificial capaz de desenvolver personalidade própria a partir de sua interação com seres humanos. Roubado pela gangue de Ninja, Chappie passa a ser utilizado em ações criminosas, colocando em debate todo o sistema de segurança pública do país.

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Blomkamp tenta utilizar novamente a linguagem cinematográfica para tecer críticas ao tecido social da África do Sul, mas, dessa vez, sem a inspiração que tornava Distrito 9 tão fascinante. O resultado é um filme irregular e que se perde em meio a seu estofo referencial, tornando-se não mais do que uma pálida citação. Exemplo disso é a referência mais clara da obra, a versão de José Padilha para Robocop (2014). Enquanto o filme de Padilha trazia em seu bojo um discurso antifascista e contrário ao sensacionalismo da mídia em torno da violência urbana, em “Chappie” essa preocupação passa batida e a robotização da polícia serve apenas como pano de fundo para que se apresente o protagonista.

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O filme estabelece um diálogo claro com Distrito 9: em seu primeiro longa, Blomkamp estabelece um processo de desumanização do protagonista (ao menos no aspecto físico), ao passo que, em Chappie, o que se vê é o inverso, a máquina se humaniza. Contudo, o desenvolvimento do personagem é problemático. As situações de alívio cômico propostas não funcionam nem acrescentam à trama. Por outro lado, as sequências dramáticas evidenciam que o diretor decidiu trilhar o caminho de Steven Spielberg em “A.I.: Inteligência Artificial” (2001), resvalando em momentos exageradamente melodramáticos e igualmente ineficazes, já que o esforço do cineasta não é suficiente para causar identificação com o personagem. O apego de Chappie à vida, que vai determinar todas as suas ações durante a narrativa, por outro lado, não comove nem possui a força do discurso de Roy Batty, personagem de Rutger Hauer no cultuado “Blade runner: o caçador de andróides” (1982), soando clichê na maior parte do tempo.

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Visto como um filme puramente de ação, “Chappie” talvez agrade a uma parcela do público, mas é sintomático que, como a ficção científica que se propunha, a obra seja apenas um vazio de ideias.

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Chappie (Chappie)

Estados Unidos, México, 2015, 114 minutos.

Direção: Neill Blomkamp

Com: Sharlto Copley, Dev Patel, Hugh Jackman, Sigourney Weaver, Yo-Landi Visser, Ninja Visse, Jose Pablo Cantillo.


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