Chau Señor Miedo

A boa atuação do casal protagonista dribla a dificuldade do entendimento da dramaturgia em língua espanhola

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07 de dezembro de 2014

O 4o espetáculo apresentado no 5o Pequeno Grande Encontro de Teatro para Crianças de Todas as Idades foi o argentino, do Grupo de Teatro Buenos Aires, “Chau Señor Miedo” de Maria Inês Falconi e com direção de Carlos de Urquiza. Apesar da história ser bastante simples, e de ser possível acompanhar a condução da mesma, pela clareza das imagens e dos códigos teatrais mais facilitados, é uma grande perda para a plateia não poder entender o significado do grande bloco de texto que o espetáculo apresenta. Ainda que exista uma gama variada de percepções sobre o que é o entendimento, é muito importante que exista um grande cuidado na produção da obra artística, no que diz respeito a espetáculos internacionais. Já existem grandes diferenças entre os estados de nosso país, o que dirá então entre os tão díspares países da América do Sul. Para se colocar um espetáculo em cena, é preciso seguir alguns critérios básicos, em respeito a todas as áreas que compreendem a obra. Todo espetáculo tem origem a partir de uma ideia, de uma palavra, de um roteiro, de um texto; e este é o primeiro ponto de todos. É fundamental que em espetáculos internacionais, com grande massa de texto dramatúrgico, seja colocada legenda para que o público local possa desfrutar da “verdadeira criação”; pois se é apenas para que se tenha percepção de partes, poderia se apresentar qualquer coisa, em vistas de que, qualquer coisa será lida por alguém. Este mesmo critério deve ser seguido em relação aos elementos cênicos, que devem ser os originais, de preferência, ou algo bastante fiel a construção do cenógrafo.

Chau Señior Miedo (1)

O grande trunfo do espetáculo é a boa atuação do casal de protagonistas Carlos e Graciela

Dito isto, o espetáculo consegue se comunicar com a plateia brasileira, muito mais pelo simples enredo – dois irmãos estão no quarto na hora de dormir e passam por diversas situações como o medo, a insegurança, e assim começam a usar canções e contos, para através das histórias, vencê-los-, e pelo conhecimento no Brasil da estética de programas humorísticos como Chaves, por exemplo, do que pela beleza das palavras ou das construções textuais. Algumas pantominas, e ações, como ir dormir, puxar o cobertor, acender e apagar a luz, assustar, expressar medo, entre outras, consegue universalizar a comunicação básica com o enredo. Na parte estética pouca coisa colabora para a teatralidade e força do espetáculo: o cenário singelo e simplista não dialoga entre si, a disposição cênica os coloca na boca de cena do teatro, tendo como ciclorama, a cortina do Teatro Guairinha, a iluminação simples e pouco criativa, e os figurinos igualmente simples e igualmente sem teatralidade. O que de fato prende a atenção no espetáculo é a boa atuação do casal protagonista Carlos e Graciela, apesar de alguns esteriótipos de criança chata e com voz esganiçada da menina. Os atores possuem uma boa fluência, um bom jogo cênico, além de cantarem bem. O momento do canto é o ponto alto, e o mais delicado de todo o espetáculo.

O espetáculo apresenta situações como o medo, a insegurança, e a busca de afeto e ternura entre dois irmãos

O espetáculo apresenta situações como o medo, a insegurança, e a busca de afeto e ternura entre dois irmãos


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