Chico Ventana queria ter um submarino

Dramaturgia além do espaço-tempo

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03 de novembro de 2020

Vale também destaque para coproduções internacionais com o Brasil e a Vitrine, como a revelação uruguaia “Chico Ventana Queria Ter Um Submarino” de Alex Piperno (“Chico Ventana También Quisiera Tener Un Submarino”, 2019), premiado com o prêmio TAG Readers.

Na trama: um membro da tripulação de um cruzeiro na Patagônia encontra um portal mágico abaixo do convés que abre um caminho para um apartamento de uma jovem em uma cidade da América do Sul. Simultaneamente, um grupo de homens tropeça em uma cabana de concreto perto de seu assentamento nas Filipinas, o que faz com que alguns dos moradores se sintam ameaçados.

Uma inusitada mistura de registro quase documental em três núcleos da trama de forma bastante naturalista, e que acaba transbordando suas histórias umas nas outras através de um artifício sci-fi: Um jovem rapaz num navio pela Patagônia descobre estranha passagem no convés que o transporta para o apartamento de uma jovem em plena metrópole urbana, assim como as ações de ambos repercutem numa cabana na floresta das Filipinas.

A fugacidade fluida entre o espaço e tempo destes três núcleos começa a infiltrar a realidade de modo insuspeito, desde o som que invade lugares a que não pertencem até os elementos físicos como a água e o fogo, os quais se alastram de forma insólita como alerta de como o ecossistema está todo interligado.