Chico

Ficção científica criativa que visibiliza as periferias cariocas

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22 de janeiro de 2017

“Chico” dos Irmãos Carvalho é um curta cuja curiosidade criativa para brincar com a ficção-científica e a diferença de classes na periferia do Rio de Janeiro compensa qualquer balança de erros e acertos com quais compensam o saldo final positivo. Às vezes, mais vale tentar e arriscar para sair do lugar comum do que ficar em um lugar seguro já visto centenas de vezes. No máximo, o que “Chico” inova só encontra inspiração nos esforços quase isolados do gênio Adirley Queirós, como com o engenhoso sci-fi que visibiliza as vozes periféricas “Branco Sai, Preto Fica”.
A construção de arte a partir de cortiços onde mora uma população acuada e criminalizada desde que nasce apenas pela cor ou pelo CEP vai se tornando uma frente de batalha lúdica, em meio a uma crise de família disfuncional como todos podem se identificar. A avó super protetora tentando corrigir os erros que cometeu com a própria filha que agora é mãe, ambas sem perspectiva, com visões diferentes para a terceira geração na figura do garoto pivô da trama. A ótima catarse se encontra na cena final completamente inesperada que cresce o filme para outro patamar.