Cinco Estrelas

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10 de outubro de 2014

Se valendo de um elenco composto quase todo por não atores, Cinco Estrelas conta uma história dramática, de sucessão, de destino manifesto e marginalidade. Passado no Brooklyn, em uma comunidade habitada por negros, o filme de Keith Miller foca basicamente em dois arquétipos, o do jovem que busca ascensão financeira através da criminalidade, vivido por John Diaz, e outro, de meia-idade e família formada, que busca retirar-se daquela vivência, feito por James Primo Grant.

Cinco Estrelas 2A relação dos dois é principalmente de mentor e aluno, ainda que esse paradigma seja revertido ao longo da exibição. A necessidade de se inserir naquele universo criminoso também é ventilada, arquitetada pela artifício da câmera na mão, que treme toda vez que é mostrada uma atitude reprovável aos olhos moralistas da sociedade.

Cinco Estrelas 3Apesar de perder em dramaturgia com a ausência de atores, o roteiro ganha em verossimilhança ao ser executado por pessoas acostumadas aquele cotidiano, quase documentando seus dramas reais e corriqueiras ante a câmera de Miller. A reticência em permanecer naquele status está nos olhos, atitudes e discursos de cada um dos personagens, até na mãe de John, que reafirma que não quer perder ele como perdeu o pai do menino, e que não o criou para (também) ser um malandro.

Cinco Estrelas 5O último ato fecha o ciclo, assumindo-se a desventura que permeia aquela vida, e o quão infrutífero é viver nisto. No entanto, a mensagem passa é deveras moralista. O que poderia ser a voraz e real voz do negro e do gueto ante a soberania do Estado ou das péssimas condições em que vive, acaba soando como uma piegas e “branca” fala de auto-ajuda.

Cinco Estrelas 1

Mostra Expectativa 2014
Cinco Estrelas (Five Star)
Estados Unidos, 2014, 83 min
de Keith Miller
Com John Diaz e James ‘Primo’ Galante


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