Cinderela

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27 de março de 2015

Muitas versões da clássica história do escritor francês Charles Perrault já foram adaptadas para o cinema, sendo a mais famosa a versão animada e musical da Disney de 1950. Eis que 65 anos depois do sucesso de “Cinderela”, a Disney decide fazer um remake em live-action e não musical da gata borralheira que se torna princesa. Nesta nova versão, Ella (Lily James) é uma menina doce que perde a mãe cedo e muitos anos depois da viuvez do pai, ganha Lady Tremaine (Cate Blanchett) como madrasta, que se muda para sua casa com suas duas filhas, Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera). Assim que seu pai morre inesperadamente, Ella passa a ser explorada a maltratada pela nova família, que tem inveja de sua beleza. Apesar das condições desfavoráveis, a então Cinderela, que ganhou o apelido maldoso das “irmãs”, continua honrando a promessa feita à mãe e nunca perde as esperanças.

CINDERELLA

Roteirizada por Chris Weitz (“Um Grande Garoto” e “A Bússola de Ouro”), a história que todo mundo já conhece ganha novos elementos, retirados de duas outras adaptações de “Cinderela” para as telonas, além da animação imortalizada pela Disney: “Para Sempre Cinderela” (1998), com Drew Barrymore no papel principal, e “Uma Garota Encantada” (2004), com Anne Hathaway como protagonista. O nome Ella, a personalidade excessivamente submissa (que no filme de Hathaway é uma maldição da obediência que lhe foi lançada ainda bebê), a cena em que a moça conhece o Príncipe Encantando enquanto anda a cavalo – esses e outros elementos foram utilizados por Weitz como referência para criar a nova trama.

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Visualmente, “Cinderella” (no original) é impecável. A direção de arte, a fotografia, os figurinos e os efeitos especiais foram muito bem empregados. Kenneth Branagh (“Thor” e “Operação Sombra – Jack Ryan”) dirigiu um filme repleto de pompa em tons de azul, que remete ao mundo Disney de sonhos e magia dos velhos tempos. Acontece que os tempos são outros, e uma menina com ingenuidade tão exagerada e submissa sem nenhum questionamento é uma afronta aos valores do mundo moderno e também um enorme retrocesso à fase atual vivida pela Disney, representada principalmente pelos longas “Valente”, “Malévola” e “Frozen”. A promessa feita por Ella à mãe – “ter coragem e ser gentil” –, repetida durante toda a fita, lembra o mote “I wish” (“eu desejo”) do musical “Caminhos da Floresta”, também repetido incessantemente até cansar o espectador. Aliás, é no musical de Rob Marshall, paradoxalmente também produzido pela Disney, que temos contato com a Cinderela (Anna Kendrick) mais independente, decidida e madura do cinema.

CINDERELLA

Por outro lado, “Cinderela” cumpre o que promete: ser apenas a versão renovada em live-action de um filme de uma das princesas mais famosas da Disney. Lily James e Richard Madden representam corretamente o casal protagonista, enquanto Helena Bonham Carter acrescenta mais uma atuação caricata à sua carreira (divertida, porém nada original) e Cate Blanchett dá um show de interpretação como Lady Tremaine, personagem que poderia ter sido muito melhor explorada e ganhado mais destaque na trama. Ainda que tenha inúmeros problemas, a “Cinderela” de Branagh encanta pelo visual luxuoso e vai agradar quem for ao cinema sem maiores expectativas. Sem contar que antes do filme será exibido o curta animado “Frozen – Febre Congelante”, que traz Elza e Anna de volta às telas para os fãs.

 

Cinderela (Cinderella)

EUA – 2015. 112 minutos.

Direção: Kenneth Branagh

Com: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett, Helena Bonham Carter, Stellan Skarsgård, Holliday Grainger e Sophie McShera.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3
  • Fabiola Paschoal

    Não poderia concordar mais. Decepção define esse filme >.<