Cine PE 2017: “O interessante nesse filme é que eu dou voz para essas pessoas que estão à margem da sociedade”, diz André Lage

“Los Leones” é um dos concorrentes ao Troféu Calunga pela Mostra Competitiva Longa-Metragem.

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30 de junho de 2017

Na manhã desta sexta-feira, dia 30, o diretor e roteirista André Lage conversou com o Almanaque Virtual sobre seu documentário, “Los Leones” (2017), no Hotel Transamérica em Boa Viagem, Recife. Um dos concorrentes ao Troféu Calunga pela Mostra Competitiva Longa-Metragem, a produção desembarcou no Cine PE 2017 na noite da última quinta-feira, dia 29, após passar não apenas por Minas Gerais, mas pela Áustria e Espanha.

André Lage durante a apresentação de seu filme no Cinema São Luiz na noite da última quinta-feira, dia 29. (Foto: Divulgação / Crédito: Lana Pinho).

André Lage durante a apresentação de seu filme no Cinema São Luiz na noite da última quinta-feira, dia 29. (Foto: Divulgação / Crédito: Lana Pinho).

“Los Leones” acompanha a vida da travesti Mariana Koballa e de seu companheiro Raul Francisco, que vivem na ilha Tres Bocas, na região de Delta del Tigre, próxima à Buenos Aires. E a ideia de retratar a vida do casal na tela surgiu ao acaso durante uma viagem de Lage à Argentina, quando viu Mariana pela primeira vez, pintando uma mesinha na porta de casa.

“A gente começou a conversar e eu fiquei completamente impressionado e seduzido pelo casal. Nesse momento, fiz um pequeno filminho desse encontro, voltei para o Brasil, editei isso e quando vi material na edição achei ‘aqui tem um filme’. Voltei para Buenos Aires, fui para Tres Bocas e mostrei esse material para eles. Nesse momento propus a ideia de acompanha-los durante um ano, um ano e meio”, disse o cineasta, que ressaltou que o casal aceitou sua proposta imediatamente.

Durante o período, André Lage se mudou para Buenos Aires e passava cerca de três dias por semana hospedado na casa de Mariana em Tres Bocas. Segundo o cineasta, essa experiência foi benéfica para a produção do longa-metragem, pois lhe proporcionou um contato mais íntimo com os protagonistas, o que lhe concedeu uma visão mais ampla das questões enfrentadas pelo casal, sobretudo em relação à doença de Mariana e às complicações causadas pela medicação para o HIV.

“O interessante nesse filme é que eu dou voz para essas pessoas que estão à margem da sociedade e têm um estilo de vida fora da norma. Eu evitei ao máximo a Argentina europeizada, como Buenos Aires, com o argentino branco e bem vestido”, contou o cineasta, explicando, ainda, que a região da Ilha de Tres Bocas se tornou uma espécie de exílio para pessoas que vivem à margem da sociedade. “Essa ilha tem até uma história que vem da época da ditadura. Muitos homossexuais iam para essa ilha fugindo”, concluiu Lage.

O 21º Cine PE acontece até o dia 03 de julho e tem curadoria do ator, diretor e produtor de cinema Bruno Torres, da escritora e professora de cinema Amanda Mansur e do documentarista e professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFPB Matheus Andrade.