Cine PE 2017: ‘O Jardim das Aflições’

Filme é um dos concorrentes da Mostra Competitiva de Longas-Metragens.

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29 de junho de 2017

No olho do furacão ideológico, ao lado de “Real – O Plano Por Trás da História” (2017), sobretudo após a retirada de sete títulos da programação do Cine PE, pois seus realizadores não aceitaram suas respectivas obras ao lado de dois filmes considerados de direita, “O Jardim das Aflições” (2017) desembarcou no Cine PE na noite de quarta-feira, dia 28.

O Jardim das Afliçoes

Um dos concorrentes da Mostra Competitiva de Longas-Metragens, este documentário dirigido por Josias Teófilo reverencia Olavo de Carvalho a cada cena, mostrando não apenas seu cotidiano no estado americano da Virgínia, como também sua obra, trajetória e seus pensamentos filosóficos. O problema é que a produção é eficiente enquanto apresentação de Carvalho, mas completamente ineficiente enquanto documentário.

Dividido em três partes, “O Jardim das Aflições” não questiona nem desafia seu homenageado em nenhum instante, deixando-o falar sobre os mais variados temas sem interrupções que seriam válidas nesta obra, pois a tornaria mais ágil e rica em conteúdo.

 

Contudo, o real problema deste longa não é a ideologia de Olavo de Carvalho, um homem conservador que tem polêmica no sobrenome. O problema é a maneira como o diretor o conduz, demonstrando total insensibilidade no que tange à arte de fazer cinema. Isto pode ser exemplificado quando Olavo de Carvalho fala sobre a lealdade como alicerce dos filmes de faroeste. Para ilustrar a fala do filósofo surge uma sequência de John Wayne em que índios são assassinados no velho-oeste. Mas qual a lealdade nisso?! Não há e, por esta razão, a inserção de tais cenas se torna descabidas porque estão ali apenas como amostra deste que foi um dos gêneros mais populares do período clássico do cinema hollywoodiano.

Conhecido por ser um astro de extrema direita e membro da lista branca no período do macarthismo, Wayne tem diversos filmes que poderiam ser utilizados de modo condizente com a fala de Olavo de Carvalho sobre western e lealdade. O próprio “Rastros de Ódio” (The Searchers – 1956), por exemplo. Maior clássico do gênero, o longa mostra a lealdade de Ethan (Wayne) para com a sua família ao deixar suas convicções de lado para salvar a sobrinha. É a lealdade aos laços de sangue e à base do indivíduo.

“O Jardim das Aflições” desperdiça a chance de explorar Olavo de Carvalho, desafiando-o em frente às câmeras, por optar em reverenciá-lo sem limites.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 2