Cine PE 2017: Sidney Santiago fala sobre ‘Diamante, o Bailarina’

Dirigido por Pedro Jorge, o filme integra a Mostra Competitiva Curtas-Metragens Nacionais

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28 de junho de 2017

Na manhã desta terça-feira, dia 28, o ator Sidney Santiago conversou com a imprensa no Hotel Transamérica, em Boa Viagem, Recife, sobre o curta “Diamante, o Bailarina” (2017), um dos selecionados da Mostra Competitiva Curtas-Metragens Nacionais da 21a edição do Cine PE.

Sidney Santiago na noite de abertura do Cine PE (Foto: Divulgação / Crédito: Lana Pinho).

Sidney Santiago na noite de abertura do Cine PE (Foto: Divulgação / Crédito: Lana Pinho).

Protagonista da produção, o ator de 32 anos interpreta um o pugilista Diamante que, à noite, se transforma na travesti Sahara Diamante, participando de espetáculos musicais numa casa noturna. “Esse é um filme que custou R$ 58 mil, estou dizendo o valor dele porque foi um filme possibilitado pelo edital da Cultura Inglesa, e ele foi feito no tempo de um mês”, contou o ator.

“A gente ficou duas semanas tendo uma intimidade com o boxe, um universo que eu não conhecia. E eu já tinha uma familiaridade com o universo LGBT porque a gente faz um trabalho de base e empoderamento social lá em São Paulo com as comunidades LGBT’s do centro da cidade, uma comunidade ligada à problemática do crack. Eu tinha uma familiaridade com esse mundo, mas o universo do boxe a gente pegou em duas semanas. Aí a gente viu muito filme com os outros atores e o resto a gente teve que coreografar porque ninguém lutava”, falou Santiago sobre sua preparação para o personagem.

Durante a coletiva, o ator não apenas sobre a construção de seu personagem, mas também sobre movimentos sociais, tecendo uma crítica à gestão do atual prefeito de São Paulo, João Dória. “Atualmente a gente tem uma prefeitura muito nociva para a cultura. Toda a verba orçamentária para cultura na cidade de São Paulo está congelada. E os programas de formação cultural que são referências para o país, e até para o mundo, que a gente conseguiu em São Paulo é fruto da militância artística da cidade. Esses programas não foram criados em determinados governos, são programas da cidade, então é importante que essas políticas fiquem. E, nesse momento, várias dessas políticas caíram com o Dória. Então a gente está vivendo um momento de muita pulsação, desde o segundo ano do mandato do Haddad. Então, de alguma forma, fazer esse filme foi olhar um pouco para essa juventude da cidade e ver como eles estão se organizando e reagindo a todo o processo de muita violência”, disse Sidney Santiago.

O 21º Cine PE acontece até o dia 03 de julho e tem curadoria do ator, diretor e produtor de cinema Bruno Torres, da escritora e professora de cinema Amanda Mansur e do documentarista e professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFPB Matheus Andrade.