Cine PE 2017: ‘Toro’

Dirigido por Edu Felistoque, o filme é um dos selecionados da Mostra Competitiva Longas-Metragens.

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05 de julho de 2017

Destaque da noite do último sábado, dia 1o, na 21a edição do Cine PE, “Toro” (2017) tenta passear pelo drama, ação e thriller, mas se perde no meio do caminho, traído pela inconsistência de sua trama.

Rodrigo Brassoloto vive um taxista, ex-presidiário e ex-policial Toro (Foto: Divulgação).

Rodrigo Brassoloto vive um taxista, ex-presidiário e ex-policial Toro (Foto: Divulgação).

Com direção de Edu Felistoque, o longa foi selecionado para a Mostra Competitiva Longas-Metragens do Cine PE 2017, conta a história de Carlão (Rodrigo Brassoloto), também conhecido como Toro. Filho de pais ricos, mas que perderam tudo, Toro é um ex-policial e ex-presidiário que trabalha como taxista em São Paulo e usa o boxe como válvula de escape. Em meio a um turbilhão de emoções, ele se torna personagem de uma reportagem que investiga assassinatos em série de taxistas.

Com um roteiro mal estruturado, assinado por Felistoque e Julio Miloni, incapaz de explorar com afinco a história que se propõe a contar, o longa padece ainda mais com o desempenho de seu elenco, desprovido de química entre si e pouco à vontade com seus respectivos personagens.

Todos os atores sem exceção surgem em cena carregados de uma teatralidade caricata, inclusive o seu protagonista. Brassoloto até se esforça, mas não consegue trabalhar com naturalidade toda a complexidade emocional de seu personagem, um homem de essência violenta e atormentado pelos traumas do passado. No entanto, o maior problema do elenco é a atuação de Ronaldo Lampi (Rato), que compôs seu personagem de maneira extremamente forçada e cujo visual nos remete a uma espécie de cruzamento entre a versão genérica e sem maquiagem de Alice Cooper com a versão malvada, e igualmente genérica, da ratazana Splinter das “Tartarugas Ninja” (Teenage Mutant Ninja Turtles).

Com sequências de luta que primam pela organização e limpeza do local, bem como dos lutadores, algo completamente inverossímil, “Toro” é um filme que desperdiça a história sobre dor e vingança ao não sair da superfície em nenhum momento, tornando-se ineficaz em absolutamente todos os gêneros aos quais tenta passear.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 1