Circo Poeira

Espetáculo mistura as linguagens de circo, teatro e boneco, através das recordações de um “velho Mestre”

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11 de outubro de 2017

O espetáculo Circo Poeira– uma realização da paulista Grupo Circo Poeira- foi  apresentado no 10o FENATIFS, nesta segunda, dia 09.10, às 09h30min. no Teatro do Cuca, em Feira de Santana. O espetáculo que mistura as linguagens de circo, teatro e boneco, conta a história de um circo através das recordações de um “velho Mestre”, que ao narrar à história relembra o auge do seu circo, e dessa forma surgem do fundo de sua memória os números que compõem o show. O projeto, concebido pelo múltiplo artista Caio Stolai presta uma homenagem ao primeiro Circo utilizando uma mescla de teatro de animação com técnicas circenses. A dramaturgia de Stolai deixa bastante clara a opção em não se aprofundar nas histórias, nas curiosidades, e no aprofundamento das costuras emocionais e sensoriais da memória do velho Mestre. Fazendo-se valer de uma preparação corporal muito consistente, vigorosa e precisa; Stolai se entrega completamente, de corpo e alma, na animação dos títeres. De tal forma que em quase a totalidade do espetáculo não conseguimos ver a separação entre animador e animação. Criador e criatura. Stolai nos apresenta uma estética de altíssimo bom gosto, gabarito e de excelente confecção. Na textura dos bonecos, cores, figurino; e principalmente nas resoluções de manipulação, seja nas escolhas híbridas ou nos encaixes dos pés com o calcanhar dos bonecos. Isto, permite uma limpeza, precisão e um prolongamento qualitativo das linhas em toda a animação.

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O destaque absoluto do espetáculo “Circo Poeira” é a belíssima cena da bailarina com o “velho Mestre”.

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Outro grande destaque é a atuação corporal circense de Caio Stolai, Na foto com o apresentador sem corpo e apenas com a cabeça.

Tendo menos fluidez com os objetos inanimados, que são manuseados com mais dureza. Os destaques são os bonecos do “velho Mestre”, do apresentar com cabeça e sem o corpo, do artista estrangeiro atirador de facas e o capoeirista; que encontram, de uma certa maneira, em um campo claro, e aparente, na iluminação, que não recorta os ambientes, e a separação, entre boneco e manipulador. A despeito de uma manipulação corporal, e circense, muito pungente. A grande e emocionante cena, perfeita em toda a sua composição, é a da bailarina com o “velho Mestre”. Desde o belíssimo cenário em miniatura de um camarim de circo antigo com fotos na parede, bancada, cadeira, espelho e luzinhas; passando pela confecção, pela excelente música clássica, pela delicadíssima manipulação e principalmente pelo perfeito movimento de luz que fecha toda a ação para os dois títeres e nos faz viajar para um mundo absolutamente belo e fantástico.

“Circo Poeira” é um projeto de bom gosto, realizado com profissionalismo, por um artista multitalentoso, e com grande força cênica. A sua apresentação, em salas de espetáculos -uma caixa cênica de teatro-, tem tudo para poder explorar mais os seus fascinantes números com dramaturgia, iluminação, e animação diferenciada, que só irão torná-los mais plenos do que já são, a cada encontro.


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