Circocicleta

Espetáculo se assemelha a um corpo sem órgãos e lembra mais uma recreação de festa de criança

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19 de outubro de 2015

Partindo de uma ideia aparentemente interessante, o espetáculo “Circocicleta” do Grupo de Teatro Viapalco fica no meio caminho entre teatro, circo e performance. Ao assistirmos ao trabalho vemos a dificuldade que o mesmo apresenta para costurar dramaturgicamente muitas ideias que ficam com pontas soltas. Ideias estas, que no âmbito do circo encontram algumas ressonâncias mais positivas, e regular execução. O espetáculo começa com um cortejo de várias bicicletas – neste caso sendo realizado no palco do Teatro do Centro Cultural Amélio Amorim, que mesmo grande ficou pequeno para tal  -, em vários formatos e modelos, que já nos denuncia a concepção vazia de um mero desfile de bicicletas, com muito pouca teatralidade.

Circocicleta 1

O número mais interessante do espetáculo é o da criação de uma bicicleta com corpos dos acrobatas e da plateia

Divididos em cenas/números estanques, a peça fica anômala e parecendo um grande corpo sem órgãos, um Frankenstein. Com partes fragmentadas e distribuídas aleatoriamente com o único intuito de entreter sem a menor propriedade e verdade. Ficando tudo no caminho do rascunho e da sugestão. Cenas que tem a bicicleta ou partes dela como fio central é realizada sem nenhum cuidado, arte, atenção, dramaturgia, precisão, e clareza. A ideia que mais se aproxima a peça, é na verdade de um grande show de auditório, próximo a uma recreação de festas infantis de aniversário. Onde todos são estimulados a brincar, a participar, e a gritar. Os números mais interessantes deste espetáculo, – que não consegue nos dizer ao que veio, e nem relacionar assim circo com bicicleta -, é o número de criação de uma grande bicicleta, construída por corpos dos acrobatas – e da plateia -, e o número da troca de vestidos em tempo recorde – apesar de meramente ilustrativo.

Circocicleta 2

Espetáculo não consegue transitar entre o teatro e o circo, e nem de respeitar o espaço do seu próprio picadeiro

“Circocicleta” é também um bom exemplo de projeto que necessita de um conceito teatral e de espinha dorsal. Mesmo para ser um circo de variedades é preciso de muito mais daquilo que nos foi mostrado em cena.

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 2