Círculo da Transformação em Espelho

Primeira montagem do texto da americana Annie Baker é idealizada pelo jornalista e crítico teatral Rafael Teixeira

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04 de outubro de 2017

O elenco reunido, em cena da peça. Foto Rodrigo Castro.

O elenco de “Círculo da Transformação em Espelho” reunido, em cena da peça. Foto Rodrigo Castro.

Primeira montagem no Brasil de um texto da dramaturga americana Annie Baker, Círculo da Transformação em Espelho (Circle Mirror Transformation) estreia no dia 05 de outubro no SESC Copacabana. A direção é de Cesar Augusto, e no elenco estão Alexandre Dantas, Carol Garcia, Fabianna de Mello e Souza, Júlia Marini e Sávio Moll. O projeto é uma idealização do jornalista e crítico teatral Rafael Teixeira, também tradutor do texto. A temporada vai até 29 de outubro, de quinta a sábado, às 20h30, e domingo, às 19h. Aos 36 anos, com oito peças no currículo, Annie Baker já ganhou diversos prêmios, entre eles o  Pulitzer – o mais prestigiado da literatura americana – por The Flick, encenada em 2004. A autora tem sido descrita pela crítica especializada como a nova face do realismo na dramaturgia americana: repleta de personagens essencialmente humanos, sua obra provoca um sentimento de identificação profunda da plateia com os personagens.

Em Círculo da Transformação em Espelho, cinco pessoas, moradoras da pequena Shirley (cidade fictícia criada por Annie, cenário de outras de suas peças), frequentam um curso de artes dramáticas em um centro comunitário local. Marty (Fabianna de Mello e Souza), 55 anos, é a professora, que há muito desejava ministrar essas aulas; James (Alexandre Dantas), 60, seu marido, está entre os alunos; Schultz (Sávio Moll), 48, é um carpinteiro recém-separado, por vezes ligeiramente deslocado no grupo; Theresa (Julia Marini), 35, foi atriz em Nova York, mas resolveu se mudar ao se dar conta de que não conseguiria mudar o mundo através do teatro; e Lauren (Carol Garcia), 16, sonha em ser uma grande atriz. Ao longo de seis semanas, as relações entre o quinteto vão se desenvolver como na vida real: pouco a pouco, sem episódios ostensivamente dramáticos, mas com desdobramentos e consequências muito reais. O modo como as suas histórias se desenvolvem, a ação dramática, os diálogos, tudo lembra a vida da maioria de nós – e eu iria além: lembra a vida de TODOS nós, pelo menos em sua maior parte. Não há episódios extraordinários, rupturas drásticas, viradas mirabolantes. É tudo de uma humanidade radical. Mas, mesmo assim, pelo olhar de Annie Baker, a vida é repleta de potência, beleza e regozijo. Eis aí uma ideia maravilhosa: a de que há algo de belo no trivial, de que há felicidade genuína mesmo no cotidiano de qualquer um de nós“, observa Rafael Teixeira, tradutor do texto e idealizador do projeto.

Por trás de dramas algo banais, dos cenários cotidianos e dos personagens que se parecem tanto com alguém que conhecemos (ou, por que não, conosco), a autora injeta uma estranheza sutil. Sobre Círculo da Transformação em Espelho, ela afirmou, certa vez, que seu objetivo foi escrever “… uma peça naturalista que focasse de forma tão insana os detalhes do dia a dia que eles se tornariam não familiares e incrivelmente estranhos. Como se olhássemos uma tela impressionista muito de perto e só enxergássemos as manchas de tinta“.“Círculo da Transformação em Espelho é uma peça enganosa, e talvez essa ambiguidade seja o que mais me encanta enquanto dramaturgia. O texto parece simples, mas é de uma sofisticação tremenda, quase uma partitura musical. Há pausas, silêncios, elipses, palavras, frases inteiras não faladas, cenas que ficam apenas subentendidas, mas que dizem mais do que se tivessem sido escancaradas. A sensação, por vezes, é de que nada efetivamente acontece, mas tudo acontece”, explica o tradutor e idealizador.

O diretor, Cesar Augusto, conta: “A peça é um desafio pela sua total simplicidade. A ideia de “espetacularização” se desfaz a cada momento, seja através dos diálogos engasgados, seja pela edição das cenas ou mesmo pela forma elementar e singela em que se constroem as aulas.  Minha direção se apoia neste fascinante universo que se revela muito além de um simples jogo teatral, apesar das aparências. A contracena e a encenação se fundem com a própria vida de Shirley, cidade criada pela autora não apenas nesta obra, e onde estes personagens se encontram.”O cenário de Mina Quental segue a linha enxuta da encenação. Cinco grandes espelhos de base móvel, formados por placas acrílicas com aplicação de películas, evocam a sala de ensaio onde se desenrola a peça. Inspiradas nos cavaletes de vidro incrustados em cubos que a arquiteta e cenógrafa Lina Bo Bardi (1914-1992) criou para o MASP (Museu de Arte de São Paulo), essas lâminas jogam com a luz e a mobilidade, podendo ora ser espelhamento, ora transparência, de acordo com o ângulo de visão do público nesse jogo de luz.

 

Ficha técnica

Texto: Annie Baker

Idealização e tradução: Rafael Teixeira

Direção: Cesar Augusto

Elenco / Personagem:

Alexandre Dantas / James

Carol Garcia / Lauren

Fabianna de Mello e Souza / Marty

Júlia Marini / Theresa

Sávio Moll / Schultz

Direção de movimento: Dani Cavanellas

Assistente de direção: Pedro Uchoa

Cenário: Mina Quental

Iluminação: Adriana Ortiz

Figurinos: Ticiana Passos

Programação visual: Daniel de Jesus

Fotos: Rodrigo Castro

Vídeos: tocavideos – Fernando Neumayer e Luís Martino

Direção de produção: Luísa Barros

Produção executiva: Ana Studart

Administração financeira: Amanda Cezarina

Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Realização: Sesc Rio

Serviço

Estreia: dia 05 de outubro (5ªf), às 20h30

Local: Teatro de Arena do Sesc Copacabana. Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana/ RJ. Tel: (21) 2547-0156.

Horário: 5ª a sábado, às 20h30; domingo, às 19h.

Ingressos: R$ 30,00, R$ 15,00 (meia), R$ 7,50 (associado do Sesc)/ Funcionamento Bilheteria: 2ªf de 9h às 16h; 3ª a 6ª de 9h às 21h; sábado de 13h às 21h; domingo de 13h às 20h

Classificação indicativa: 12 anos.

Gênero: comédia dramática.

Capacidade: 242 espectadores.

Temporada: até 29 de outubro.