Como Sobreviver a um Ataque Zumbi

Escoteiros fundem MacGyver e Porky's em homenagem oitentista ao terrir

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14 de novembro de 2015

O tema ‘zumbis’ alcançou tal coqueluche que ganhou ares de crônica social, sucesso especialmente multimídia para além de filmes, com HQs, séries e etc, como o hit “The Walking Dead”. Hordas de zumbis são comparadas hoje em dia com refugiados de guerra cuja necessidade de sobrevivência é isenta da balança do bem e do mal. Um corpo precisa comer e ocupar um espaço para subsistir, mesmo que coincida com crises como superpovoamento e escassez de recursos. Talvez por toda esta riqueza metafórica as plateias não estejam preparadas para volver um pouco as referências neste amplo e clássico universo morto-vivo para um espírito mais galhofeiro e anárquico oitentista, o qual dá muito certo na nova comédia de terrir, que é um terror que faz rir em “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” ou “Scout’s Guide to the Zombie Apocalypse” no original, onde os escoteiros nerds e virgens perseguidos pelos valentões serão os únicos com engenhosidade à la MacGyver para sobreviver.

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Despretensioso, muito mais do que beber da fonte de pilares zumbísticos de George Romero, o filme acrescenta e abraça a geração MTV da década de 80 em diante através das aventuras juvenis de monstros como “Os Garotos Perdidos” e “A Noite do Espanto”, bem como as comédias sobre ritos de passagem com hormônios à flor da pele como “Porky’s” e “Os Goonies”. Ou seja, este espírito de cooperação dos nerds contra os valentões da escola se encontra com um terror mais leve e sexy, tipo o que desembocou desta geração na década de 90, como a escatológica revelação de Peter Jackson nos cinemas “Fome Animal” (vide a referência direta à infame cena do cortador de grama), ou da dupla Robert Rodriguez e Quentin Tarantino com o cool “Um Drink no Inferno” (vide a cena de pole dancing).

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Não à toa o presente filme foi realizado por Christopher Landon, roteirista de quase toda a franquia “Atividade Paranormal”, a qual realmente reflete o público jovem e antenado de hoje em desdobramentos do gênero terror. Mesmo com personagens naïf mal construídos, a intenção nunca foi outra. Munido de uma palheta de cores caprichada, onde pinta à vontade doses exatas de sangue na tela entre um riso e outro, o cineasta impressiona com uma comicidade sem censura de momentos extremamente escatológicos, mas não gratuitos, uma vez que a patrulha do politicamente correto anda limando cada vez mais esta parcela de prazer culposo do entretenimento adolescente. O fato é que o jovem quer se conhecer melhor, e a seu corpo, e é muito mais natural e menos vergonhoso para eles comprovarem o que já sabem graças à internet através dos cadáveres putrefatos de zumbis numa trama abstrata do que nas amizades que também estão plugados na internet e ocupados demais para interagir pessoalmente. Esta é uma nova forma social, não se pode culpá-la nem julgá-la, apenas compreendê-la. E o filme o faz com muito bom humor. Como sobreviver a um apocalipse zumbi filme


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