Crimes Ocultos

Tom Hardy vive um oficial da segurança do governo stalinista que caça serial killer

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21 de maio de 2015

Baseado no livro “Criança 44”, de Tom Rob Smith, “Crimes Ocultos” se passa durante o opressor governo stalinista da União Soviética, em que o oficial da segurança Leo Demidov (Tom Hardy, em cartaz em “Mad Max: Estrada da Fúria”) investiga uma série de assassinatos de crianças ocorridos em boa parte do território russo. Exilado pelo Estado, que prefere fechar os olhos para a possibilidade de um serial killer por receio de que este seja um alto funcionário do Governo, Leo conta apenas com a ajuda de sua esposa Raisa (Noomi Rapace) e do general Mikhail Nesterov (Gary Oldman), seu novo chefe.

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“Não há assassinatos no Paraíso”. É com esta frase que o filme dirigido por Daniel Espinosa (“Protegendo o Inimigo”) se inicia. Logo somos apresentados ao personagem de Hardy na infância, no período do Holodomor, em que houve uma enorme escassez de alimentos na Ucrânia entre 1932 e 1933, levando os jovens a praticar atos extremos para não morrerem de fome. O então garoto se torna militar e conquista um importante posto de comando como oficial da segurança, chefiando uma busca a um suposto traidor de Stalin numa sequência que lembra muito a cena inicial de “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, mas com uma dose de compaixão de Leo. O que torna o Leo de Hardy, primorosamente interpretado, tão interessante é essa dualidade que carrega: embora seja obrigado a praticar e conviver com a violência de perto, ele conserva a bondade dentro de si e é um homem fiel à amada esposa Raisa, outra personagem cheia de camadas. Vivida por Noomi Rapace – que causa um estranhamento pelo uso de lentes de contato, mas que não diminuem em nada o seu enorme talento –, Raisa vai sendo desvendada por Leo e pelo espectador, da mesma maneira que o mistério que permeia “Child 44” (no original).

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A descoberta da existência de um serial killer de crianças na região – história modificada do caso real de Andrei Chikatilo, o Açougueiro de Rostov –, a investigação e, finalmente, a resolução do caso possuem bastante semelhança com o longa de Clint Eastwood “A Troca”, estrelado por Angelina Jolie. Hardy e Jolie também dividem a obstinação de seus protagonistas pelo fim da impunidade, provocada pela intervenção política na polícia e pela sede de poder de seus comandantes, muito bem representados por Vincent Cassel e Joel Kinnaman. Gary Oldman é outro cuja ótima interpretação merece destaque.

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Com roteiro de Richard Price (“A Cor do Dinheiro”) e produção de Ridley Scott (“O Conselheiro do Crime”, “Êxodo: Deuses e Reis”), “Crimes Ocultos” é um filme que surpreende pela ótima construção do enredo e pela profundidade dos personagens repletos de nuances, principalmente Leo, cuja trajetória durante toda a trama é de determinação e redenção, e faz com que o público torça por isso até o final. É uma obra que atrai pelo fundo histórico e pelo grande elenco, e envolve por suas reviravoltas, seus momentos de emoção, pelas excelentes interpretações e pelo mistério central que a permeia. Perde apenas pela longa duração e por tentar tratar de muitas questões ao mesmo tempo, que acabam se perdendo pelo caminho.

 

 

Crimes Ocultos (Child 44)

EUA / Reino Unido – 2015. 137 minutos.

Direção: Daniel Espinosa

Com: Tom Hardy, Noomi Rapace, Joel Kinnaman, Gary Oldman, Charles Dance, Vincent Cassel, Jason Clarke, Sam Spruell e Paddy Considine.


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