O Último Fantasma N° 01: A Jornada do Espírito

Um dos super-heróis mais antigos dos quadrinhos retorna, sedento por justiça

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02 de dezembro de 2014

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O primeiro personagem super-herói a usar um uniforme padrão, criando uma identidade para a sua simbologia e seu significado, não poderia deixar de ser homenageado com um remake, uma narrativa voltada para o público do nosso século atual. Criado por Lee Falk (autor também de mandrake), o Fantasma ou “The Phantom”, é uma franquia de alto prestígio, que foi publicada nos jornais com regularidade em 17 de fevereiro de 1936, numa época em que os quadrinhos ainda engatinhavam para alcançar o renome atual, acabando por fascinar fãs fieis ao personagem, que por consequência, influenciou dezenas de heróis pelas décadas posteriores. No Brasil, a série veio a fazer sucesso com a Rio Gráfica Editora, conhecida pela publicação de diversos quadrinhos, sendo o principal foco os super-heróis.

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Durante mais de vinte gerações, eles que são a força da justiça, um símbolo, um homem… Todos os ancestrais de Kit Walker assumiram o dever de defender Bengala e o resto do mundo, equipados com as armas necessárias e com a sua marca implacável, o anel do espírito, eles deixaram um vasto legado de responsabilidades para o mais jovem de sua linhagem, que por escolha própria, reluta em aceitar o dever proposto por seus ancestrais, pretendendo gozar de uma vida normal como um grande empresário e filantropo. Todavia, ele logo descobrirá que ser o fantasma, significa viver como um espectro, inibido de sentimentos e uma família normal.

 

Após um evento filantrópico de sucesso em Nova York, Kit Walker acaba Sofrendo um covarde atentado em seu avião particular, que se dirigia para sua terra natal, Bengala, no continente africano. Atordoado, ainda sem compreender que uma grande organização criminosa e até o seu braço direito em sua empresa, orquestraram a sua “acidental” morte, Walker apenas observa, totalmente impotente, os corpos de seu filho e sua esposa, assassinados em uma sangrenta chacina, todos vítimas por estarem ligados a sua pessoa. Nesta parte, vale ressaltar, tanto o roteiro e o desenho são extremamente pobres em narrar esse evento tão dramático e até rápido demais, que significa a metamorfose do homem para se tornar um “espírito” da justiça.  A cena decepciona por ser um elemento tão importante, mas usado de maneira tão apática.

 

Imbuído de ódio e agora aceitando o seu cruel destino, o Fantasma inicia uma odisséia para destruir a organização responsável pela sua desgraça e a de muitas outras vitimas, porém, ironicamente, a mesma está ligada ao seu império empresarial e financeiro. A obra está recheada de flash back, que revelam a origem fanática com que o protagonista fora criado, passando por árduos treinamentos, onde seu pai, sempre mostrado como uma figura imponente da responsabilidade do legado, (é algo que ficou bem interessante e cria um tempero de mistério).

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Encontrando alguns aliados pelo caminho, (muitos de origem tribal e até misturados entre as classes mais humildes da sociedade), Kit passará pelas provações da jornada do espírito. Numa trama que fala sobre o destino implacável, aquele do qual estamos destinados e não podemos escapar, como um fantasma que nos assombra, sussurrando o nosso dever para com o mundo. Cenas de ação, aventura e sabotagens é algo que não falta nesse inicial arco de historia, onde o herói utiliza-se principalmente da furtividade para neutralizar os seus inimigos, descrevendo minuciosamente os detalhes sobre as propriedades do seu traje de invisibilidade.

 

Elementos místicos também incorporam o enredo. Fiéis amigos: Como o seu fiel cavalo e lobo, mostram-se muito mais inteligentes do que simples animais, parecendo possuir um elo mais espiritual com Kit, que ainda possui dezenas de nativos místicos como aliados, além daqueles que conhecem o símbolo marcante do seu anel.

 

Infelizmente, apesar dos demais elementos, o remake está longe de reaver a antiga glória e originalidade conquistadas por Lee Falk. A aventura entretém, limitando-se a fazer o clássico “feijão com arroz”, pecando nos personagens principais e coadjuvantes sem profundidade, (apesar do passado de Kit ser mostrado), sendo o protagonista, mais um entre os tão conhecidos justiceiros cheio de dinheiro e sede de justiça. O antagonista principal também não possui muita graça, estando quase no mesmo nível que os personagens secundários.

 

Recomendo somente como uma leitura divertida, contudo, se o leitor procura se deliciar com a nostalgia das obras clássicas, provavelmente ficará desapontado.

 


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