Dalida

Dirigida por uma mulher, uma cinebiografia francesa muito bem sucedida sobre uma cantora que deixou sua marca na história da música mundial

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12 de outubro de 2017

Dalida foi uma cantora de origem italiana nascida no Cairo que ganhou fama internacional a partir da França nos anos 50 por cantar em diversos idiomas, principalmente o francês. Mulher forte e à frente de seu tempo, Dalida foi um ícone de sua época com uma carreira muito bem sucedida, mas a vida pessoal carregada de tragédias e diversos amantes, dos quais três cometeram suicídio. Baseada no livro “Dalida – Mon frère, tu écriras mes mémoires”, de Catherine Rihoit e Orlando (irmão da cantora), “Dalida” é a cinebiografia, escrita e dirigida por Lisa Azuelos (“Um Reencontro”), que leva o nome da primeira mulher a receber discos de ouro e platina, ter mais de 170 milhões de álbuns vendidos e atuar em filmes famosos. De sua infância difícil como imigrante italiana no Egito durante a Segunda Guerra Mundial até o auge de seu estrelato e seu suicídio em 1987, o longa conta a história de Yolanda Gigliotti, conhecida como Dalida – duas mulheres em uma só, cuja voz potente e imagem icônica estão imortalizadas na música mundial.

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De biografia de cantores e cantoras a França entende: antes de “Dalida”, Edith Piaf e Claude François tiveram suas vidas retratadas no telão em “Piaf – Um Hino ao Amor” (2007) e “My Way, O Mito Além da Música” (2012), respectivamente. Intensidade é a maior característica em comum entre os três os filmes e vidas destes artistas inesquecíveis. A modelo e atriz italiana Sveva Alviti estreia em grande estilo no cinema como protagonista do longa de Azuelos. Muitíssimo parecida fisicamente com a cantora, Alviti se entrega de corpo e alma ao papel (inclusive aprendendo francês, um idioma que não conhecia, na preparação de nove meses) e interpreta/dubla as canções de Dalida com perfeição, o que é essencial para um filme do gênero, ainda mais quando a diretora dá tanta atenção a este aspecto na trama. Além de cantar em vários idiomas, como francês, italiano, inglês, espanhol, alemão e árabe, ela ainda passeou por diversos ritmos e gêneros musicais ao longo da carreira, obtendo sucesso em todos. Azuelos escolheu marcar os momentos da vida de Dalida com belas performances de  canções que fizeram história, como “Bambino”, “Je suis malade”, “Il Venait d’Avoir Dix-Huit Ans” e “Monday Tuesday… Laissez-Moi Danser”.

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A vida privada de Dalida é o ponto mais explorado na película por Azuelos, que deseja mostrar a mulher por trás da artista, cujo vazio existencial que vinha do desejo de ter uma vida comum, com marido e filhos, nunca conseguiu ser preenchido pela vida de fama e solidão. De seus diversos relacionamentos, o espectador é apresentado a cinco, provavelmente os mais conturbados e abusivos, expondo problemas que muitas mulheres costumam ter com seus parceiros devido ao machismo e à misoginia impregnados na sociedade. Com pouco mais de duas horas de duração, “Dalida” é aquele filme que você mal sente passar o tempo e te deixa querendo saber mais da vida desta mulher e artista incrível. Não é necessário conhecer a cantora antes de assistir, é bem interessante conhecê-la através da cinebiografia, mas para os fãs será um deleite.

 

 

Festival do Rio 2017 – Panorama do Cinema Mundial

Dalida (Idem)

França – 2016. 124 minutos.

Direção: Lisa Azuelos

Com: Sveva Alviti, Riccardo Scamarcio, Jean-Paul Rouve, Nicolas Duvauchelle, Alessandro Borghi e Niels Schneider.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4