Dandys Acrobático

Dupla de acrobatas conquista a plateia com o seu carisma e alegria

por

30 de novembro de 2016

Partindo de uma premissa simples, e de um título em que já sabemos para qual lugar do circo seremos levados, o espetáculo “Dandys Acrobático”, do Grupo Theastai de Artes Cênicas de Dourados, MS, representa o típico espetáculo de esquetes circenses, que poderiam ser contados entre um número e outro de cortinas fechadas. Dois garçons, dão vida a diversas situações, e se fazem valer de todos os objetos ao seu redor para extrair números circenses. Um maitre trapalhão e um garçom ainda mais atrapalhado. Ambos elegantes, de bigode, bem vestidos com fraque/smoking. Utilizam-se apenas de uma mesa e cadeiras como elementos para uma apresentação de acrobacia, malabarismo, manipulação de objetos e equilibrismo.

dandys-acrobaico

O bom cartaz do espetáculo, que nos remete ao circo antigo e ao cinema mudo.

dandys-2

Michel Stevan e João Rocha, em cena de “Dandys Acrobático”.

Com uma dramaturgia ainda em formação, ou melhor, em formação constate – visto que trata-se de uma obra aberta em evolução -, vemos a riqueza de possibilidades que o projeto pode alcançar ao encontrar uma espinha dorsal mais encadeada de ações e fatos. A direção de Breno Moroni consegue extrair um bom elo de ligação entre as cenas, mas poderia imprimir um roteiro mais consistente que propusesse um diálogo mais franco com o teatro. Parece enxergarmos uma busca ao cinema mudo, aos filmes de Charlie Chaplin – e ao seu Carlitos-, mais de uma forma ainda discreta. Ficando mais no terreno da sugestão do que da realização. Quando falamos de circo, podemos observar a boa qualidade dos dois intérpretes em realizar com competência as acrobacias, malabarismos, manipulação de objetos e o equilibrismo. Entretanto, nos suscitando a dúvida, sobre algumas imprecisões cênicas. Seriam elas propositais, em vias de que se trata de um híbrido entre o teatro e o circo? O grande mérito do espetáculo, em formação, que tem o seu palco principal a rua, e onde com certeza ele ganha bastante com isso, na interação direta com o público que está dentro da cena; é o carisma e alegria dos intérpretes. Utilizando bem os contrastes entre o palhaço certinho (Branco ou Clovis) e o palhaço atrapalhado (Augusto ou Toni), tendo um – o primeiro – mais habilidade em alguma arte. Muitos são grandes acrobatas, músicos, malabaristas, domadores, bailarinos, piadistas, cantores, equilibristas, atores e mímicos; e o segundo, que faz o tipo inteligente, certinho, mas que não vive sem o bobo. Está sempre pronto para enganar o seu parceiro. No espetáculo, os dois intérpretes se apresentam de forma dinâmica e divertida, o que nos faz esquecer momentaneamente destas questões abordadas acima. Onde o clown de João Rocha é muito engraçado, e tem uma inspiração clara em Carlitos, com as suas ótimas caras de bobo e um gritinho estridente de um medo característico; e o clown de Stefan é mais sóbrio e com cara de inteligente. Os dois têm muito potencial artístico, carisma; e quero muito acompanhar o desenrolar da história desta dupla em futuros projetos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /home/almanaquevirtual/www/wp-content/themes/almanaque/single.php on line 52